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Resenha: Radio Gnome Invisible Part 1: Flying Teapot (1973)

Álbum de Gong

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Sem a excelência dos seus sucessores, mas ainda uma primeira parte digna

Por: Tiago Meneses

15/01/2021

Radio Gnome Invisible Part 1: Flying Teapot é o quarto álbum de estúdio da banda de jazz/rock psicodélico Gong, e como o nome sugere, o primeiro da trilogia Radio Gnome. Todos os três álbuns anteriores haviam sido bons discos, sendo que a banda continuaria aqui o seu estilo meio maluco de fazer música. 

É um álbum de apenas seis faixas e de pouco mais de trinta e cinco minutos, mas que faz valer a pena sua audição. A música do disco é uma linha que mistura o rock psicodélico – ligeiramente inclinado para a música de vanguarda – e o jazz/rock, o que significa que existem porções iguais de momentos psicodélicos com sons de sintetizadores espaciais – lembrando um pouco Hawkwind em determinadas partes -, além de letras bobas – pense em Frank Zappa na sua forma mais infantil de escrever - e de improvisos em seções de jazz/rock com muitos solos de saxofone e flauta. Independente de qualquer rótulo, discos como este conseguem mostrar um estilo próprio mais do que qualquer coisa, uma amostra da forte personalidade de Daevid Allen.

“Radio Gnome Invisible” dá início ao disco através de uma introdução espacial de trompa com baixo, além de guitarra e sintetizador que seguem por trás da música. Consegue transmitir um sentimento bastante mágico e místico. O trabalho de sax é forte e dobra com os primeiros vocais criando um clima alucinante. Este é o tipo de som que pessoas com tendência a “mainstream” costumam a passar longe, mas eu particularmente adoro. 

“Flying Teapot” tem um começo muito atmosférico, ambiental e psicodélico, então que ela se transforma em algo como jazz psicodélico funkeado com a incursão de duas camadas de sax-horn, onde realmente a banda demonstra com clareza que a ideia do momento é improvisar. O final da faixa apresenta uma percussão excelente e que soa como algum material do Planet Drum de Mickey Hart. 

“The Pot Head Pixies” é uma faixa mais curta e com letras trippy. Uma pequena, porém, cativante e muito estranha canção. Particularmente eu gosto muito dos vocais de Allen nesta faixa. Possui um baixo excelente, bateria diversificada e ótimos trabalhos de guitarras por parte Allen e Hillage. 

“The Octave Doctors And The Crystal Machine” é apenas uma faixa instrumental de sintetizador com menos de dois minutos que soa apenas como um atraso e preenchimento desnecessário. 

“Zero The Hero And The Witch's Spell” é a música mais rock and roll do álbum e a minha preferida. Possui linhas de baixo incríveis, vocais excelentes, muitos sintetizadores, psicodelia na dose certa, enfim, tudo nesta faixa é incrível, saxofone, bateria jazzística, guitarra com influências hard rock. Sem a menor sombra de dúvida, a melhor música do álbum. 

“Witch's Song/I Am Your Pussy” é a faixa de encerramento do disco. Gilli Smyth é quem fornece os vocais principais, ela possui uma voz única. Destaque quando em determinada parte ela dá uma risada alucinante e então um belo saxofone começa a irradiar a música. O álbum chega ao fim com muita originalidade. 

É fato que este tipo de som não é apenas psicodélico, mas excêntrico, e com isso pode levar um tempo até cair nas graças de muitos ouvintes. Mas depois disto feito, você não pode deixar de admirar a loucura positiva destes caras. Como já dito, esta é a primeira parte da famosa trilogia. Infelizmente no que diz respeito à produção o disco é bem fraco – sendo o melhorzinho deles o saído pela Charly Records em 1996. Sem a excelência dos seus sucessores, mas ainda uma primeira parte digna.

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