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Resenha: Back To Black (2006)

Álbum de Amy Winehouse

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Mesmo de luto, um álbum único

Por: José Esteves

15/01/2021

O disco de estreia da Amy, “Frank”, foi um sucesso absoluto, tanto de crítica quanto de vendas, o que é surpreendente considerando que a vocalista citou a produção do álbum como “amarga” e que o marketing e promoção foram “um desastre”. Com um contrato assegurado, ela decide escrever outro álbum, dessa vez logo depois de um péssimo término de relacionamento. O álbum foi um sucesso absoluto, conquistando vários prêmios, concorrendo ao Mercury Awards, um disco de platina no Reino Unido e nos Estados Unidos, além de ser considerado um dos melhores álbuns de todos os tempos para muita gente, figurando na lista da Rolling Stones dos 500 Melhores Álbuns. e de ter sido eleito pelo Guardian como melhor álbum do século XXI.

Existem diversas influências nesse álbum que variam em questão de obviedade. Por um lado, é claramente inspirado em clássicos do Jazz e R&B das décadas de cinquenta e sessenta; por outro lado, tem uma pitada evidente de “Miseducation of Lauryn Hill” e Macy Gray, além de outros elementos de R&B modernos. Isso cria um álbum que é completamente diferentes de qualquer uma das duas coisas, e que brilha mais quando mistura essas duas ao máximo. A voz da Amy Winehouse é claramente uma sensação a parte, mas ela não é exatamente uma excelente vocalista, ganhando mais no lado de “único e especial” do que na parte da qualidade, o que funciona na maior parte do álbum. Na parte instrumental, Nick Movshon no baixo é um jogador a parte, fazendo algumas passagens em que o baixo dele está presente terem um clima diferenciado de velocidade calma, e o piano de Victor Axelrod funciona muito bem quando as músicas pedem um piano mais interessante.

As faixas que não funcionam são as fillers (“Some Unholy War” não apresenta nada de muito interessante e acaba logo) e as que usam elementos que claramente não são a praia da cantora (“Just Friends” é um jazz fusion com reggae que não tem muito sentido). Fora isso, o álbum é consistente, com a maior parte das faixas oscilando na parte mais positiva do espectro, com a tour de force “Back in Black” servindo como um carro chefe de faixa, com um piano imponente e um vocal muito bem encaixado, e a “Re-hab” funcionando bem para colocar o clima da faixa onde tinha que estar, fortemente no R&B da década de ’60. Mesmo as faixas meio que sem muita direção exata (“Me and Mr. Jones”) funcionam por causa da voz ácida da vocalista e a produção que está empenhada em fazer algo claramente de época (como em “Love is a Losing Game”, que usa “Ain’t No Mountain High Enough” como base).

A melhor faixa do álbum é “You Know I’m No Good”, a faixa que funciona mais como evidência da mistura entre o clássico e o novo no álbum todo. O gancho do refrão é interessante, com uma linha melódica diferenciada e o vocal dela encaixa como uma luva, mesmo sem esforço. Não só é um jazz muito divertido, como os temperos aqui e ali de violão e sintetizador criam esses momentos únicos que poderiam ter sido explorados novamente no mesmo álbum.

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