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Resenha: Physical Graffiti (1975)

Álbum de Led Zeppelin

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Led Zeppelin experimental no último bom álbum da banda

Por: José Esteves

13/01/2021

Já como uma banda estabelecida de sucesso, a gravação e o lançamento de um novo disco era mais uma questão de hábito do que uma questão de tempo. Porém, em ’74, eles gravaram um pouco mais do que deveriam, cobrindo um disco e meio, preenchendo com material que sobrou das outras gravações para lançar o único disco duplo da banda. O disco foi muito bem recebido, sendo considerado por alguns como o magnum opus da banda, conquistando 16 discos de platina além de figurar em listas como melhor disco de todos os tempos.

A grande crítica ao disco é a notabilidade do que é material inédito e o que não é, com a parte reciclada (especialmente o lado B do segundo disco) sendo bem díficil de atravessar. Porém, o primeiro disco e o lado A do segundo disco são o Led Zeppelin brincando de experimentação e isso por si só é mais interessante do que eles jamais tinham sido, com músicas mais longas sem serem tediosas. Aplausos especiais ao John Paul Jones, baixista e tecladista, que pela primeira vez na história da banda tem um lugar para demonstrar a qualidade que ele tem como baixista, e ao Bonham, que como sempre arrasa na bateria.

A experimentação desse disco é inusitada, em que se percebe a versão final de algumas músicas que tinham vindo antes: a oriental “Kashmere” é uma versão bem mais sólida e sombria do que “Black Mountain Side” lá do primeiro álbum e a folk instrumental “Bron-Yr-Aur” é uma versão de “Going to California” com alguma chance de ser algo significativo. Além dessas, tem a pantanosa “In My Time of Dying”, um rock do sul com guitarra de slide bem trabalhada, e “Trampled Under Foot”, uma faixa mais funky que mostra uma vontade de se modificar com o tempo. Porém, como dito antes, após “Ten Years Gone”, que é a base de “When the Levee Breaks” com uma quebrada mais leve e romântica, o disco se desenvolve em faixas que foram abandonadas por uma razão bem óbvia.

A melhor música do disco é o épico oriental “In the Light”, uma faixa cheia de experimentações com sirenes e vocalizações tipo coral até a marca de três minutos, quando a bateria entra e o hard rock começa. O vocal do Robert Plant segue uma linha de blues que funciona muito bem durante a segunda parte da música, com uma guitarra de qualidade.

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