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Resenha: The Six Wives Of Henry VIII (1973)

Álbum de Rick Wakeman

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Assim como fez Herique VIII, delicie-se com essas mulheres

Por: Tiago Meneses

12/01/2021

De acordo com o que sempre vejo em relação a qual é o disco preferido de Wakeman entre os seus fãs, este parece ser o mais lembrado, algo que inclusive de certa forma eu concordo, afinal, estamos diante de um álbum de equilíbrio perfeito, estilo único, composições brilhantes, inteligentes, cheias de temperamentos e de extrema originalidade. Eu confesso que não tenho exatamente um disco pra chamar de favorito quando se fala da discografia do mago, ainda que em alguns momentos e talvez levado pela paixão do momento já tenha deixado escapar que esse ou aquele é o meu preferido. 

Em The Six Wives of Henry VIII, Rick recrutou uma lista impressionantes de músicos, incluindo membros da Strawbs, Chaos Conk, Dave Lambert e Dave Cousins, membros do Yes, Chris Squire, Steve Howe e Alan White, além e Bill Bruford e Ray Cooper. Uma dica para o ouvinte é que não espere exatamente composições refinadas, elaboradas ou complexas, pois este disco se trata de um esforço solo autoindulgente e quase megalomaníaco de Wakeman. 

“Catherine Of Aragon” com certeza é uma das peças mais facilmente conhecidas já compostas por Wakeman. A primeira das seis obras do álbum é cheia de vigor e execuções de teclados simplesmente maravilhosas. As seções de piano são escritas muito bem e é interessante perceber a maneira com que Wakeman pula de um teclado para outro. A música em determinado ponto sofre uma interrupção onde acontece um breve interlúdio de mini-moog, tendo ainda um grande coro que consegue dar um toque grandioso. A música depois entra em uma linha relativamente feliz antes de chegar ao seu final. 

“Anne of Cleves” inicia-se com um sintetizador ascendente e descendente enquanto que o resto da banda faz algumas pontuações através de acordes pesados. A banda então fica paralisada por um tempo, alternando-se em alguns compassos. Logo depois os músicos entram em um ritmo mais direto. Há uma melodia de órgão tocada perto dos dois minutos que se tivesse sido feita de forma recorrente deixaria a música mais forte ainda. O teclado de Rick Wakeman em momento algum sufoca o som, inclusive, é o baixo que soa mais alto e claro por toda a parte da música. Sobre o solo de bateria no meio da faixa, não sei exatamente se era necessário, mas também não compromete. Uma música deliciosamente frenética.  

“Catherine Howard” começa com uma peça simples e belíssima para piano, até que Wakeman de uma maneira abrupta apresenta uma seção musical mais acelerada. Quando em determinado momento a banda para de tocar, o mago usa de vários floreios de piano em sequencia, sem contar uma guitarra bastante expressiva que também entra na música. Logo um trabalho incrível de mini-mogg, a peça evolui para uma linha meio country que eu particularmente acho dispensável. Felizmente Wakeman volta à música para um belo trabalho de piano e sintetizador e logo retorna ao tema principal, só que desta vez reforçado com um belo apoio de mellotron. 

“Jane Seymour” é onde Wakeman oferece um trabalho não apenas impressionante, mas também assustador. Cravo e uma magnitude bastante imponente de um trabalho de órgão sublime. Há também tempo para uma dissipação de mini-moog de forma repentina. 

“Anne Boleyn” tem um inicio que pode ser visto um pouco como uma espécie de cruzamento entre o blues e o clássico. A peça então se move entre o piano antes de explodir em um mini-moog. Aquele coro maravilhoso da primeira faixa faz outra aparição no disco. Infelizmente assim como aconteceu em “Catherine Howard”, existe algumas seções que até soam elegantes, mas não se encaixam bem na faixa. O trabalho de sintetizador nos faz pensar em Keith Emerson. No final, ainda sobra espaço para que Wakeman faça uma linda versão para piano do hino cristão “The Day Thou Gavest Lord Hath Ended”. 

“Catherine Parr” encerra o disco com Wakeman fazendo de tudo em uma demonstração de suas proezas no órgão. Pensando em algo mais conhecido, faz com que pensemos em algo como um cruzamento entre “Close to the Edge” e “Roundabout”. O trabalho de mellotron é incrível e tem a função de dar uma sensação sombria para a música. O tema central é tocado por sintetizadores de derivação dupla. Wakeman então dirige tudo através de um piano inspirador e uma seção de órgão de atmosfera alegre antes do regresso dos sintetizadores que executarão novamente o tema principal. Um final de disco nada menos do que grandioso. 

Tudo bem que em três momentos da resenha eu disse que algo era dispensável e não parecia se encaixar na música, porém, isso é tão insignificante perto do que é o álbum, que em momento algum poderia ser capaz de tirar o status de obra-prima que este disco merece. Seis esposas que devemos abraça-las calorosamente com frequência, pois não é apenas uma experiência prazerosa, mas terapêutica. Enfim, assim como fez Henrique VIII, delicie-se com essas mulheres.

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