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Resenha: Lockdown 2020 (2021)

Álbum de The Circle

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2021 começa Tiozão

Por: José Esteves

12/01/2021

A pandemia que iniciou em 2020 limitou em muito a vida de muita gente, e um dos lados um pouco inconvenientes na equação é que o mundo da cultura, que já não era um dos melhores investidos, perdeu bastante do investimento por conta da falta de shows. Apesar de Sammy Hagar e os integrantes do The Circle não terem exatamente feito isso pelo dinheiro, eles fizeram várias sessões durante a quarentena homenageando os gigantes e lançando durante o ano, tanto pela homenagem quanto para ter uma conexão com os fãs.

Excluindo álbuns de paródia que fazem questão de abordar o lado tiozão do rock, esse talvez seja o álbum mais tiozão da história. A banda de apoio é boa: em especial Michael Anthony, ex-baixista do Van Halen, faz algumas linhas interessantes de baixo durante as músicas. Mas tanto a escolha das músicas quanto o jeito único e explosivo do Sammy Hagar de se expressar acabam fazendo o álbum ser bem pior do que poderia ser. As músicas mais sutis perdem completamente a sutileza e músicas simples ficaram convolutas e super produzidas: talvez tenha sido auto produzido, mas existem artefatos de baixa qualidade na gravação aqui e ali que não deveriam ter.

Falando das músicas, esse deve ser um dos pontos mais negativos do álbum. Um dos conceitos do álbum é a ideia de “homenagear os grandes”, o que é ridículo quando três músicas são do Van Halen na época que o Sammy Hagar era o vocalista e uma quarta música é do Sammy Hagar & The Wabos. Para piorar a situação, parece que a banda não entende porque certas músicas tem uma duração um pouquinho maiores, então tem um cover de “Won’t Get Fooled Again” do The Who com 2 minutos, o que deveria ser proibido por lei. Além disso, eles fazem umas tentativas de misturar mais músicas do que deveriam, então o cover de “For What It’s Worth” emenda em “Can’t Always Get What You Want” dos Stones e “The Passenger” do Iggy Pop, e o cover do clássico do Little Richard “Keep A-Knockin'” começa e termina com “Rock and Roll” do Led, o que é pior ainda quando se considera que a introdução e saída da faixa é de bateria e o Jason Bonham é o batera.

A melhor faixa do álbum é o “cover” de Sammy Hagar & The Wabos, “Sympathy for the Human”. Considerando que Sammy Hagar & The Wabos não são uma instituição, só deles terem feito um cover fiel à original, afinal, a música é dele, eles acabaram criando uma faixa “original” no mix que é agradável. Nada muito interessante, nada muito bem feito, mas pelo menos a faixa não parece Van Halen sem o Eddie (como em “Good Enough) ou um David Bowie feliz (como em “Heroes”).

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