Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Dwellers Of The Deep (2020)

Álbum de Wobbler

Acessos: 121


O melhor álbum de Prog de 2020

Por: José Esteves

11/01/2021

Depois da recepção calorosa do quarto álbum, a banda estava já encaminhada para um quinto projeto. Assim como o quarto disco, o novo álbum escalou rapidamente as tabelas de rock progressivo e está no caminho para ser eleito o melhor disco de rock progressivo do ano, apesar do relativo pouco reconhecimento.

Esse álbum tem tudo para ser um dos melhores álbuns de prog da década de ’10, principalmente por causa dos teclados de Lars Fredrik Frøislie: os diferentes timbres que ele maneja com facilidade, desde os complicados até os mais simples, demonstram tanto uma maestria no seu instrumento quanto o seu reconhecimento dos grandes mestres de teclado do passado, especialmente Rick Wakeman, que é claramente uma influência das mais fortes. Não só aí para as influências do Yes, com o vocal de Andreas Wettergreen Strømman Prestman lembrando muito o de Jon Anderson. Infelizmente, o Jon Anderson nunca foi o melhor vocalista do mundo, assim como Andres não é a melhor parte do álbum, mas é um disco de rock progressivo, e rock progressivo nunca precisou de um excelente vocal, ainda mais quando se tem um baixista incrivelmente talentoso (o modo como Kristian Karl Hultgre acompanha o teclado é primoroso) e um baterista que rivaliza com Ian Paice na qualidade dos fills (Martin Nordrum Kneppen sabe o que tem que ser feito na hora certa, variando de influências clássicas do rock para jazz com swings atemporais). O guitarrista Geir Marius Bergom Halleland tem momentos para brilhar, mas é claramente um álbum de teclado, e Frøislie entrega.

São apenas quatro faixas, o que costuma ser um péssimo sinal para pop, mas um excelente sinal para o prog. O estilo do rock progressivo varia bastante, com momentos de tensão dentre músicas maiores, em especial a última “Merry Macabre”, que tenta simular alguns ritmos mais ciganos com um teclado fantástico, além de uma linha melódica no piano que encaixa bem no disco. A terceira faixa é uma balada mais convencional que joga o ouvinte direto aos folks do início da carreira do Pink Floyd, e a segunda faixa “Five Rooms” é a faixa que o Martin mais improvisa, sem nenhum momento em que peca pelo exagero; muito pelo contrário, quando você espera que a música fique um pouco volumosa demais, ela mostra claramente que a produção foi de ponta para fazer as faixas fluírem o mais sem esforço possível.

A melhor faixa do álbum é a primeira, “By the Banks”. Não só tudo funciona de forma excelente nela, ela tende a ser mais instrumental, eliminando completamente o pseudo-problema do vocalista. Dá para ouvir o álbum como se fosse a evolução natural do Yes se eles decidissem dar mais proeminência ainda ao Rick Wakeman, e praticamente revela todas as influências da década de 70 que culminaram nessa faixa. As mudanças de ritmo funcionam bem, lembrando um pouco a introdução instrumental de “Foreplay/Long Time” do Boston. Essa faixa é a definição de “jogar tudo na parede e ver o que cola”, mas por alguma razão mágica, nunca exagera. Nem quando tem um dueto harmônico entre a guitarra e cravo, de todos os instrumentos, logo depois de um momento de flauta e violoncelo.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.