Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Marathon (2020)

Álbum de Mark Kelly

Acessos: 80


O Tecladista do Marillion em grande estreia solo!

Por: Márcio Chagas

08/01/2021

Todos os membros do Marillion são envolvidos em projetos paralelos ao grupo desde os anos 90. Até mesmo o baterista Ian Moslyi com sua costumeira má vontade aparece em grupos ou projetos, como por exemplo em “Crossing to Desert” do grupo Iris.

O único que nunca havia se envolvido em nenhum projeto ou disco solo era o tecladista Mark Kelly. Mas depois de praticamente 40 anos de espera, o músico finalmente resolveu se aventurar em um álbum solo lançando o projeto 'Mark Kelly's Marathon'.

Inicialmente deve ficar bem esclarecido que há um conceito de banda por traz do projeto, uma vez que Kelly trabalhou com o letrista Guy Vickers no intuito de criar canções melódicas e bem estruturadas. 

Portanto não espere um álbum instrumental de tecladista na linha de Rick Wakeman ou Par Lindh, com temas grandiloquentes e intermináveis solos de teclados. Temos aqui um disco gravado sob a ótima de uma banda, com canções variadas, algumas delas no estilo  progressivo old school, que nos remete ao velho Marillion.

Para gravar o álbum, além das letras de Vickers, Mark contou com a ajuda de Oliver Smith (vocal), Pete Wood e John Cordy (guitarras), Henry Rogers (bateria) e Conal Kelly (baixo), sobrinho do tecladista. Nenhum músico é conhecido, porém todos são competentes e ajudaram a conseguir um bom resultado final nos temas apresentados.

Um ouvinte mais desatento pode pensar que está diante de um álbum conceitual, o que não é verdade. 

Há alguns assuntos que são comuns entre as canções, principalmente o conceito de viagens e exploração de novos mundos, seja na terra ou no espaço. Mas não pode ser dizer que as músicas estão interligadas contando uma história como se espera desse tipo de álbum.

“Amelia” abre o disco com o pé direito. É uma pequena suíte, com pouco mais de dez minutos. É progressiva e remete aos primeiro anos do grupo do tecladista, principalmente pela voz de Oliver que se assemelha bastante a Peter Gabriel. A letra conta a história verídica da aviadora americana Amelia Earhart, que desapareceu voando através do Pacífico em 1937 enquanto tentava dar a volta ao mundo. A música tem ótimas variações rítmicas onde a banda se mostra bastante coesa e competente;

“When i Feel” é uma balada meio indie e lembra a fase Marillion com Hogarth em seu inicio, principalmente na construção das melodias. O solo Hammond ao final da faixa é brilhante e mostra que o músico continua mandando muito bem na construção de solos progressivos quando quer e precisa;
Em seguida temos “This Time”, o single do álbum. Obviamente é a que tem maior apelo comercial, com ecos do pop oitentista. pessoalmente me lembrou novamente Peter Gabriel, mas desta vez da fase “So”;

“Puppets” nasceu das várias jams gravadas pelo Marillion, mas foram descartadas pela banda. Como na ideia original a guitarra foi criada pelo seu colega de grupo Steve Rothery, Mark achou bom bem chamá-lo para gravar o instrumento. A faixa é a que mais se assemelha ao Marillion atual, uma vez que é possível identificar com clareza a guitarra de Rothery e a integração com que a dupla trabalha, unindo seus instrumentos de forma sinfônica e coesa; 

Para encerrar de maneira épica, temos “Twenty Fifty One” o maior e mais progressivo tema do álbum, com seus 15 minutos de variações rítmicas, passagens complexas e os teclados e Hammonds do líder em evidência, construindo bases e solos. Uma canção que demonstra o alto potencial de Kelly como tecladista e arranjador. Além dele merece destaques as linhas de baixo do sobrinho Conal e a habilidade de Smith, que consegue demonstrar uma versatilidade vocal digna dos maiores cantores do estilo. A letra emblemática e com temática futurista, sofre influência direta dos grandes filmes de ficção cientifica que abordaram viagens no espaço e contatos com aliens como “2001: uma Odisseia no Espaço” do premiado Stanley Kubrick;

“Marathon” foi lançado no final de 2020 e seu grande trunfo mostrar que Mark Kelly mostrou possui seu ego domado, uma vez que  soube filtrar o melhor das duas fases de sua banda original e apresentar um com canções bem estruturadas, letras inteligentes, novas influências e o frescor de uma jovem banda ao seu lado. Com certeza, um dos grandes discos de 2020.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.