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Resenha: Dust And Dreams (1991)

Álbum de Camel

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Música para nossos sentidos, alma e coração

Por: Tiago Meneses

08/01/2021

Dust And Dreams marcou um grande retorno da banda após sete anos de hiato e de um período maior ainda de trabalhos para muitos de qualidade duvidosa. Para muitos inclusive já vi ser colocado como o melhor disco do grupo desde Moonmadness – afirmação completamente compreensível embora eu não concorde, pois considero Nude no mesmo nível que ele. 

O disco foi composto após Andy Latimer fundar o seu próprio selo – Camel Productions – e com isso finalmente ter de novo uma liberdade criativa para incorporar no álbum tudo aquilo que tinha vontade, afinal, nos dois discos anteriores o músico foi prejudicado pela gravadora que queria singles de sucesso e músicas mais viáveis comercialmente, e com isso, Andy teve que comprometer quase que por completo sua grande visão musical. 

Dust And Dreams é um álbum conceitual e é baseado no livro The Grapes of Wrath (As Vinhas da Ira), de John Steinback. Conta à jornada de uma família de pobres trabalhadores rurais durante a Guerra da Depressão de 1929 que ruma para a California, onde segundo eles é um lugar mais favorável e de maior número de oportunidades. Porém, conforme eles avançam em sua viagem, também percebem que a realidade é diferente do que eles imaginavam, descobrindo com isso que o lugar para onde estão indo pode na verdade ser ainda pior do que aquele que eles deixaram pra trás. 

Dust And Dreams trata-se de um álbum bastante emocionante, com excelentes composições e melodias muito agradáveis. Com este álbum a banda quis realmente trazer o ouvinte de volta para ao som tradicional do Camel e ao seu nível musical de qualidade inquestionável. Há apenas quatro faixas vocais. Como um álbum conceitual, as dezoito faixas estão todas interligadas como se fosse um único tema. Dust And Dreams provavelmente pode ser considerado uma mistura de elementos de dois álbuns anteriores da banda, The Snow Goose e Nude. Não no sentido de que as velhas ideias tenham sido apenas aquecidas, mas os elementos estilísticos são de alguma forma semelhante entre eles. Na maior parte do disco encontramos os teclados como instrumento em primeiro plano, não de forma bombástica, mas sempre atento e muito adequado ao romance original, principalmente na utilização de linhas melancólicas. Existe um grande número de belas canções aqui, todas com peças instrumentais entre elas. Na verdade, real é que o disco termina com uma ótima sequência de peças instrumentais. 

Mais uma vez, Latimer como produtor, compositor, guitarrista, tecladista e vocalista fez um excelente trabalho. Seu jeito singular de tocar guitarra sempre consegue trazer alegria ao ouvinte, ora provocando arrepios e em outras um grande sorriso no rosto. Não entrarei no detalhe de cada uma das faixas desta vez, deixarei claro apenas a mensagem de que Dust And Dreams se trata de um álbum muito bonito e com música para nossos sentidos, alma e coração.

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