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Resenha: Pale Folklore (1999)

Álbum de Agalloch

Acessos: 60


Uma estreia completa e louvável

Por: Tiago Meneses

08/01/2021

Sempre senti que existe uma espécie de relação secreta entre a música e a mente do ouvinte, mas em alguns casos isso aparenta ser mais evidente do que em outros, sendo assim, é impossível de eu fazer alguém entender o que ela significa pra mim, pois para isso, seria necessário que a outra pessoa estivesse dentro da minha cabeça para de fato sentir o quanto esta música me soa comovente, sendo capaz de descrever muito bem alguns dos meus sentimentos mais depressivos. 

Apesar de já ter escrito aqui para o site sobre outros discos da Agalloch, no fim das contas eu sempre acho que estou apenas arranhando a superfície das informações que podem ser dada sobre suas músicas, uma representação meio superficial do que de fato a música representa para mim. 

A “casa” musical da banda é um local que eu adoro visitar, sendo um ambiente semiescuro, de luzes fracas que são aumentadas simplesmente pelo fogo de uma lareira. O amanhecer também é bastante fraco do lado de fora. Conforme o álbum avança, o dia começa, mas não é um dia ensolarado, em vez disso, é um dia de inverno, um pouco sombrio, cinzento e um tanto agourento, mas também há um lado calmo nele, e uma aspiração à paz interior. Eu atribuiria o inverno como a estação adequada a este tipo de som da banda. 

O disco tem inicio através da trilogia, “She Painted Fire Across The Skyline”, e que através de uma mudança de som acústico para vocais mais ásperos e crus já consegue mostrar todo o clima que será encontrado durante o disco. Esta abertura está em grande contraste com que a banda iria fazer no seu disco seguinte, Mantle. Esta jornada de abertura é bastante dinâmica, alternando entre riffs rápidos e dinâmicos e partes mais lentas e descontraídas. Composta por três partes, a faixa trata-se de uma composição com um fio musical ligando-as todas em uma peça extremamente coerente. 

“The Misshapen Steed” é uma relaxante peça instrumental de uma beleza simplesmente fora de série. Bastante atmosférica e com a utilização de tons claros e escuros simultaneamente, apresenta também um clima bastante relaxante de se ouvir. Muito bem orquestrada, com um clímax dramático e suave, tudo é feito com um cuidado enorme até chegar ao fim de uma forma como quem prepara o ouvinte para a próxima música. 

“Hallways Of Enchanted Ebony” faz com que o ouvinte sinta novamente a sensação causada pela trilogia, “She Painted Fire Across The Skyline”. Tem uma pegada forte e bastante constante, além de um vocal no estilo black metal. Seu ritmo acelerado é excelente e as harmonias de guitarra são ótimas – apesar de pecar um pouco na hora dos solos. 

“Dead Winter Days” continua basicamente com a mesma vibração em que “Hallways of Enchanted Ebony” terminou. Alguns riffs rápidos e ligeiramente dissonantes que se desenvolvem em um groove fascinante. È possível notar um pouco de influência em Katatonia em alguns momentos. 

“As Embers Dress The Sky” é uma faixa que já estava presente na primeira demo da banda. Possui um riff que lembra bastante o da faixa anterior – mas não sei se elas são ligadas em algum conceito. Os vocais são predominantemente limpos e conseguem criar um efeito interessante que deixa a faixa com uma aura harmoniosa e sinistra. 

“The Melancholy Spirit” finaliza o disco sem muita novidade ou algo que não tenha sido visto nas faixas anteriores. É mais uma faixa dinâmica que tem algumas boas melodias com algumas partes acústicas não muito diferentes do que ouvimos em “As Embers Dress The Sky”. O final mórbido talvez seja a melhor parte da peça e faz com que o disco finalize de uma maneira perfeita. 

Costumo dizer que a Agalloch é um dos poucos casos onde o black metal consegue soar bem para os meus ouvidos, pois ele não se apresenta de forma crua, mas cheia de adornos que o torna mais palatável até mesmo para ouvintes que não costuma se envolver muito com o gênero. Folklore pode estar abaixo dos três discos posteriores, mas ainda assim é uma estreia completa e louvável.

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