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Resenha: Conquest (1980)

Álbum de Uriah Heep

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Desgastes e incertezas ao redor de "Conquest"

Por: André Luiz Paiz

08/01/2021

Após o bom álbum "Fallen Angel", o Uriah Heep encerrou mais uma fase e a década de setenta com três discos com baixas vendas, principalmente por conta da digestão lenta da saída de David Byron. Mas ainda sim, lançaram material de qualidade. E foi aqui, em "Conquest", que as coisas se complicaram de vez.

Apesar de receber críticas favoráveis em seu lançamento, "Conquest" abriu a década de 80 para o Uriah Heep com um trabalho confuso, sem pegada e com uma banda prestes a sofrer uma das suas maiores perdas: Ken Hensley, seu principal gênio criador estava de saco cheio e prestes a sair. Além disso, o competente vocalista John Lawton foi substituído por John Sloman e o saudoso baterista Lee Kerslake também pegou o boné. E no meio de tudo isso, a tentativa de entregar um trabalho que soasse consistente com o que já haviam lançado falhou, já que este disco é considerado por muitos como o pior disco do Urial Heep.

Para falar das canções desse disco, novamente preciso trazer o nome de Ken Hensley à mesa. São deles os melhores momentos encontrados aqui, começando com "Imagination", que tem uma pegada bem interessante e bons efeitos sonoros. "Feelings" também agrada com sua pegada AOR. "Carry On" segue no mesmo caminho e "Out on the Street" tem potencial e começa com uma certa inspiração do passado, crescendo aos poucos.
A faixa de abertura "No Return" é um AOR meio esquisito, que tenta mesclar vocais no estilo Byron com o som que a banda fazia naquele momento. A balada "Fools" de Trevor Bolder até que é bonitinha, embora seja quase uma cópia de algo já explorado pela banda. Por fim, "Won't Have to Wait Too Long" e "It Ain't Easy" são as mais fracas e totalmente desconexas. A faixa bônus "Been Hurt", um belo rock de Ken Hensley e até anteriormente gravada com Lawton para um possível quarto disco, poderia facilmente ter substituído uma delas.

E assim o Uriah Heep quase chegou ao fim. Um disco meio estranho, a saída de Ken Hensley e novamente a necessidade de reformular, quase fizeram com que Mick Box desistisse. Para nossa sorte, a banda ainda tinha forças e voltou dois anos depois, iniciando uma nova e interessante fase. Era necessário mudar, e assim fizeram.

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