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Resenha: Reborn (2016)

Álbum de Ahsa Ti Nu

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Nome moderninho, som old school

Por: Roberto Rillo Bíscaro

08/01/2021

Ke$ha, Kimbra, Kiesza, Rumer, Lira, NAO, Iyeoka; os nomes das cantoras de hoje dão trabalho para resenhistas cinquentões acostumados com Kate, Cindy, Lisa. De vez em quando, aparecia uma Basia ou Sade, mas eram poucas; agora é tudo difícil para escrever, como AhSa Ti Nu. Não é reclamação, é constatação. Tempos mudam, nomes artísticos também. Se o conteúdo for bom, apanhamos um pouco, usamos “cola”, mas grafamos.

Queixas ficam para dificuldade de encontrar informações sobre artistas negras independentes, que fazem som old school, caso de AhSa Ti Nu. Atuando como atriz e cantora no eixo San Francisco-Los Angeles, a norte-americana lançou seu primeiro CD, no começo de 2016. Reborn é para quem curte jazz, R’n’B, soul e um bocadinho de rock, tudo bem anos 60/70/80.

O afrojazz Give What You Get abre à capela pra mostrar que a moça tem gogó. Mas AhSa jamais exagera; temos no álbum todo uma voz forte e segura, que às vezes até poderia ter se dado o luxo de fazer mais, como em Glory, faixa derradeira, R’n’B rockado com jeitão de Come Together, dos Beatles e solão de guitarra. A parte final poderia ser mais gritada um bocadinho, com produção menos bem-comportada. E olhe que essas sugestões não querem dizer que a canção seja ruim; apenas poderia ser ainda mais incendiária.

Boa parte de Reborn é composta por urban jazz sofisticado para ouvir com vinho, namorada(o) ou simplesmente dando carão. Love Jazz é lento com sax bem chique; I Can Feel You também é jazz pop vagaroso, bem para fãs de Maysa Leak; My Pharaoh é do tipo de jazz funk do início dos anos 80 – Chakha Khan fazia isso – que a galera acid jazz aproveitaria depois.

As dez faixas de Reborn estão temperadas não apenas com jazz, especialmente na segunda metade. Believe In You abre pop de bater palminha ou estalar dedos; Keep a Positive Mind abre gospel com voz sobre órgão, e se transforma em jazz chique; Whole God tem aroma de reggae, clima soul e lindo coro spiritual. By The People é funk jazz muito gostoso, a única coisa estranha é a voz metalizada no final, que soa como uma criança extraterrestre. Embora a letra engajada trate de temas importantes para a consciência negra, dentre eles a homofobia dentro da comunidade, o reggae Wade In The Water quebra o ritmo do álbum, porque depois de algumas ouvidas, fica apenas uma faixa falada dentre canções tão deliciosas.

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