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Resenha: The Joshua Tree (1987)

Álbum de U2

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Poucos momentos de qualidade

Por: José Esteves

07/01/2021

Em 1986, o U2 já estava consolidado como uma das maiores bandas de todos os tempos, após o lançamento do sucesso de crítica “The Unforgettable Fire”, uma turnê de promoção de sucesso e a participação da banda no lendário Live Aid. Com a intenção de ampliar o escopo, o grupo coloca em justaposição o realismo frio dos estados unidos dos álbuns anteriores e trabalhar mais em cima do estados unidos místicos, U2 lança seu quinto álbum, que é um incrível sucesso de crítica, sendo considerado por muitos o melhor álbum de todos os tempos, conquistando diamante, tendo sido eleito o melhor álbum de 87, além de estar incluído nos melhores álbuns da revista Rolling Stones.

O álbum foi fortemente moldado pela estética da época, e isso não seria necessariamente ruim se a época não fosse a década de 80: o maior problema do álbum são as influências de New Wave na guitarra do Edge, um arpeggio palhetado com delay que começa na primeira faixa e não para incomoda muito, e essa é a função da guitarra: fazer esse barulho incessante e incomodo. O vocal do Bono está longe de ser ruim (apesar de não combinar muito com algumas músicas no disco), mas a bateria do Larry Mullen Jr. é convencional demais para ser algo interessante, o baixo de Adam Clayton, quando não acompanha o Edge e tem tempo de respirar, é bem razoável, mas o Edge é a pior parte do disco. Nenhum solo de guitarra interessante o suficiente e aquele barulho irredimível tão específico do U2 que faz toda música parecer do Dead or Alive ou do Flock of Seagulls. Se pelo menos tivesse a energia dessas outras bandas, mas é faixa letárgica atrás de faixa letárgica, com poucas delas funcionando.

Claramente é um álbum com alguns hits e muitos fillers: por mais que o Bono seja um liricista de qualidade que consegue imbuir significado nas faixas que foram menos trabalhadas, não muda o fato de que tem muito filler (“Trip Through your Wires” e “Running to Stand Still”). Existem algumas faixas que o U2 tenta sair um pouco do que o U2 faz, como “Bullet the Blue Sky” que é quase um caos punk sem direção, mas nessas o vocal do Bono simplesmente não se encaixa (melhor exemplificado em “Red Hill Mining Town”, que o vocal não só está completamente afogado, mas simplesmente não se encaixa). No resto, o álbum tem, é claro, os hits de conquistar arenas (“I Still Haven’t Found What I’m Looking For”) e algumas músicas eficientes mas não muito mágicas (“One Tree Hill”).

A melhor faixa do álbum é a balada “With or Without You”. O vocal do Bono, que não é nada demais, funciona melhor em músicas que exploram a vulnerabilidade dos agudos dele, e essa faixa é a que melhor exemplifica isso, ainda mais em comparação com o grave da voz dele no início da música. A guitarra incômoda do Edge também não se apresenta no começo da música (mesmo que ela apareça depois) e tem um teclado melancólico e melódico que se encaixa bem no andamento da música.

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