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Resenha: 20 000 Miles Under The Sea (1978)

Álbum de Nautilus

Acessos: 51


Heavy progressivo com muita paixão, técnica e convicção

Por: Tiago Meneses

07/01/2021

Meu primeiro contato com a Nautlis – da Suíça e não confundi-la com a alemã de mesmo nome – foi navegando em um dos infinitos blogs que eu frequentava por volta de 2008, porém, mesmo tentando, não estou conseguindo lembrar o seu nome. Algo que logo percebi ao ouvir a banda pela primeira vez é que se tratava de mais uma das infinitas joias dos anos setenta que acabaram subestimadas e quase totalmente ignoradas na época, afinal, eles são ótimos e recomendado para qualquer pessoa interessada nas primeiras formas existentes de rock progressivo – apesar de serem já do final da década de 70. 

O álbum já começa com a sua faixa título, “20 000 Miles Under The Sea”, sendo um incrível cartão de visita, atingindo o ouvinte com tudo que de melhor a banda pode oferecer, forte linhas de baixo influenciadas por Gary Thain durante a era de ouro do Uriah Heep, vocais mais próximos do Deep Purple e um órgão que pode ser colocado em algum ponto entre The Doors e Grand Funk Railroad. Uma excelente faixa de abertura cheia de força e agressividade. 

"Sleeping in the Wind" começa com uma abordagem mais acústica, a guitarra soa de uma forma bastante sofisticada, se misturando com uma melodia espacial dos teclados que lembram um pouco Pink Floyd, mas logo a faixa se direciona para um som mais pesado bem ao estilo da Triumvirat. De certa forma um som menos coeso que o anterior, mas mesmo assim de ótima qualidade, apenas menos agressivo. 

“Like a Bird” também começa de uma maneira semiacústica, apresentando um clima muito agradável e meio pastoral, além de onírico e bastante atmosférico. Os vocais são gravados em segundo plano enquanto que os backings tomam a dianteira da situação em alguns momentos. Os teclados são claramente influenciados pela música psicodélica britânica. O baixo que foi impressionante nas duas faixas anteriores aqui aparece mais leve. Mas novamente outra música muito bonita e de ótima melodia. 

“Deep Inside Me” mostra a banda em uma influência em Uriah Heep, aquele som clássico de Hensley e um clima de mistério são recriados desde o início, e potencializado quando uma guitarra muito bem elaborada com uma distorção típica de Mick Box também brilha. O vocal não é algo próximo de David Byron, mas o trabalho de coro de certa forma faz com que o ouvinte se lembre de “Look at Yourself” ou “Demons and Wizard”. Há ainda tempo para que o piano mude o clima da música para uma linha sinfônica alemã combinando com um bom hard rock. Uma faixa extremamente forte. 

“Lady” é mais uma faixa em que facilmente podemos perceber inspirações em Uriah Heep, mas desta vez os teclados se apresentam menos dark e muito mais rápidos, fazendo com que também haja um aceno ao Deep Purple. Bastante coerente e melódica, provavelmente o seu único problema fique por conta do coro que não tem a mesma força dos encontrados nas faixas anteriores, soando inclusive meio desafinados em alguns pontos. É uma boa música, mas a considero a menos inspirada do disco. 

“Lost in Time” é a faixa mais longa do álbum. Começa com um som e clima psicodélico claro através de uma forte bateria e uma guitarra tocada em um estilo meio The Doors e que é bastante agradável. O trabalho vocal desta faixa também é muito bem elaborado e com variações que leva o ouvinte para a Carnaby Street do final dos anos 60, ainda que não seja tão lisérgico. Os teclados em alguns momentos parecem com os usados por Rick Wakeman em Criminal Record, provando o qual versátil Ralph Stucki pode ser. Se você é apaixonado pela era da música psicodélica, dificilmente vai deixar de gostar desta faixa. 

“To The Sky” é uma faixa cheia de energia, os teclados de abertura ao melhor estilo Hensley são simplesmente de tirar o fôlego. Os vocais estranhamente me fazem lembrar os de alguém, mas não consigo afirmar com exatidão de quem, o que eu sei é que são apoiados perfeitamente por uma guitarra que lembram alguns trabalhos do Santana em uma seção rítmica bastante forte. Uma música que tem absolutamente tudo, só acho que deveria ser ao menos um pouco mais longa. 

“Opus For Ghosts, Crocodils and Four Living Persons” é a faixa que encerra o disco. Apesar do nome longo, se trata da mais curta entre as músicas do álbum, mas mesmo assim a banda consegue atingir o ouvinte com o que de melhor existe no seu repertório, teclados barrocos, guitarra chamativa, linhas forte de baixo e uma bateria que parece ser executada por um metrônomo humano. Acho uma ótima maneira de fechar o disco. 

A banda soube muito bem usar a vantagem de estar lançado este disco apenas em 1978, pois é nítido que eles ouviram todos os ícones da década de 70 e olharam o mundo enquanto estavam nos ombros de gigantes. Porém, não se sentiam bem trilhando simplesmente o caminho mais fácil, clonando seus ídolos, certamente a banda batalhou bastante para soar de uma maneira inteligente e integra. Como definir em poucas palavras? Talvez um heavy progressivo com muita paixão, técnica e convicção.

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