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Resenha: Buckingham Nicks (1973)

Álbum de Lindsey Buckingham

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Um protótipo do Rumours

Por: José Esteves

06/01/2021

Esse é o único álbum da dupla Stevie Nicks e Lindsey Buckingham depois que a banda de rock psicodélica Fritz foi desformada e antes deles entrarem no Fleetwood Mac. Stevie Nicks havia largado a carreira acadêmica para perseguir uma carreira musical, conhecendo Buckingham em uma festa quando nesta tocava California Dreamin’. Encantando pela harmonia dela, ele convidou ela para a sua banda Fritz, que logo se desfazia. Com ambos ainda em busca de uma carreira musical, decidiram assinar um contrato com a Polydor Records para a produção de um álbum, que foi um fracasso comercial; porém, Mick Fleetwood, em busca de um estúdio novo para gravação, ouviu uma das faixas do álbum, o que o compeliu a chamar a dupla para o Fleetwood Mac.

O álbum foi definitivamente composto e construído a partir do violão do Buckingham na maior parte das músicas. É visível que a bateria só está seguindo a batida das cordas no violão, é notável que o baixo está apenas ecoando os graves do Buckingham no violão, e nisso, a música sofre bastante. Porém, no lado Buckingham, ele trabalha bem com a guitarra, fazendo alguns solos interessantes, e o violão dele é espetacular, dando uma essência folk ao pop que o álbum apresenta. E do lado Stevie Nicks, ela é uma potência sem igual. As músicas compostas por ela são definitivamente as melhores, com o vocal dela dando uma vida completamente nova as faixas. A voz dela é amargurada, nasalada e fantástica, trazendo uma acidez e um sarcasmo ao álbum, que poderia muito bem ser feliz, mas beira mais a melancolia.

Uma das coisas interessantes do álbum é a perceptibilidade do quão importante foi a entrada do dueto no Fleetwood Mac, com várias faixas parecendo protótipos de outras que figurariam no Rumours. A instrumental de violão “Stephanie” é claramente um dos passos em direção a “Never Going Back Again”, e a última, a que teria convencido Mick Fleetwood, “Frozen Love”, tem tudo para ser o épico “The Chain” no futuro. Existem faixas que não mostram a progressão (“Races are Run” e “Long Distance Winner” são tão idiossincráticas que não tinha muito para onde evoluir, com tanto niilismo e acidez), mas no geral, o sentimento como um todo passou para o Rumours.

A melhor faixa do disco é a primeira faixa “Crying in the Night”, a mais animada e feliz do álbum, apesar da temática ser bem infeliz. É uma composição da Nicks, com a voz dela fazendo harmonia com ela mesma de forma muita eficiente. O gancho dela ficará na sua cabeça por um tempo, e o trabalho do Buckingham de inflar a música funciona muito bem.

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