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Resenha: Elvis Presley (1956)

Álbum de Elvis Presley

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Interessante pelo fator histórico, desagradável no campo musical

Por: José Esteves

05/01/2021

Apesar de ser o disco de estreia do Elvis, ele é uma figura tão reconhecida que o caminho dele até esse álbum é bem documentado. Com vários singles sendo lançado com sucesso pela Sun Records, a RCA, que não tinha nenhuma experiência na área que Presley tocava, quis um pouco do lucro. Numa transação sem precedentes, compra o contrato da Sun por 35 mil dólares e convence o artista a pender um pouco mais para o lado do R&B considerando o sucesso que foi seu primeiro single pela RCA, “Heartbreak Hotel”, enquanto na Sun ele se mantinha mais no country. O álbum é um dos três álbuns a figurarem na lista dos 1001 álbuns para se ouvir antes de morrer, conquistou certificação platina e figura na lista da Rolling Stones de melhores álbuns de todos os tempos.

Observar esse álbum é estudar o seu lado histórico, o que funciona como um bônus e como um detrimento ao artista. Por um lado, é inegável o fato de que em muitas das músicas se vê o início de muito do rock dos anos 60, principalmente como inspiração de bandas como Beatles e Rolling Stones, quando exportado para o reino unido. Por outro lado, em sua maioria, os compositores do álbum são negros, e tocavam as músicas bem melhores do que o Elvis Presley toca. É inegável que a voz do Elvis Presley é bonita em algumas músicas, e que a banda de apoio sabia o que estava fazendo, mas os compositores originais das músicas conquistam bem melhor o espaço e a identidade das músicas que o Elvis toca.

Um dos exemplos mais claros disso é o cover de “Tutti Frutti”, do Little Richard. É a menor música do álbum, mas ela é repetitiva e tende a perda de energia. Outro exemplo dos mais óbvios é a morte musical que é “Blue Moon”, que parece um luau bêbado gravado com batatas no último segundo, em que a música nem vai para a segunda parte. Os clássicos do álbum são clássicos, mas esse é um dos poucos exemplos de uma animada que dá certo, com mais exemplos de baladas country tristes que dão certo, como “I Love You Because” e “I’m Counting on You”. Uma pena que foi necessário uma repaginada branca em músicas bem melhores para o povo como um todo aceitar o gênero.

A melhor música do álbum é “Blue Suede Shoes”, a única que ele fez algo melhor do que a original, mas não muito. É entendível como a música revolucionou o mercado da época e botou fogo nos salões de dança, e ela tem energia, mas ainda é o começo de um álbum bem meia boca de um cantor que foi escolhido porque ele tinha um background negro apesar de ser branco e cantar como branco.

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