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Resenha: Crime Of The Century (1974)

Álbum de Supertramp

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Supertramp começando sua aventura no Prog de forma fantástica

Por: José Esteves

01/01/2021

O pouco sucesso dos dois primeiros álbuns da banda foi atribuído aos membros e a banda se separou. Com Hodgson e Davies ainda quentes pela expectativa de compor grandes músicas (e sendo bons compositores, como exemplificado no álbum de estreia), eles convidam Bob C. Benberg na bateria, John Helliwell nos sopros e Dougie Thomson nos baixos, fundamentando Rick Davies como o tecladista da banda e Roger Hodgson como o guitarrista, apesar do último se aventurar no teclado também. Em seu lançamento, o disco foi um sucesso, sendo o primeiro top 40 nos EUA do Supertramp, além de eventualmente conquistar certificação ouro.

O som da banda claramente mudou: se isso foi por causa de algum amadurecimento dos compositores, a mudança nos membros ou apenas sorte é um outro tipo de discussão, pois o som finalmente tem uma direção concisa e interessante. Hodgson e Davies demonstram claramente serem uma das melhores duplas criativas do mundo da música, acertando todas as músicas do álbum a um nível de perfeição no art rock que poucas bandas conseguiriam alcançar nos anos seguintes. A mistura de rock e jazz que algumas das músicas apresentam, mas com tendências leves de prog fazem um som único, ajudado pelo vocal dos compositores, que representam os papeis de intimidade, ego e pessoa (Hodgson com seu falsetto brilhante) e externalidade, sociedade e realidade (Davies com seu vocal mais grave e convencional). Os outros membros brilham em faixas selecionadas (especialmente John Helliwell nos sopros, seja no clarinete ou no saxofone, deram um tempero especial a cada uma das faixas), mas claramente o foco é Hodgson Davies.

Apesar de vender claramente um conceito, os membros alegaram que o disco não é conceitual, com temas sendo abordado mais pelo espaço mental dos compositores do que querendo se ater a um plano. As músicas variam pelo espectro, seguindo claramente uma cartilha mais rock progressivo em alguns momentos (a fantástica “Crime of the Century”, fechando o álbum, poderia ter 40 minutos que ninguém reclamaria), além de músicas mais leves e animadas (“If Everyone Was Listenning”, uma cantilena simples com elementos de experimentalismo) e até algumas faixas que são só, por falta de definição melhor, art rock que mistura rock progressivo com jazz (“Asylum” é linda, com uma orquestração perfeita, e a abertura “School”, que é fortemente melancólica). De mais convencional, “Bloody Well Right” é o que estaria mais perto de um pop rock qualquer, se a ideia é se aproximar desse álbum mais como uma coletânea do que uma experiência única.

A melhor faixa do álbum é “Hide In Your Shell”, uma balada pop com o vocal do Hodgson explodindo de personalidade tanto quando faz backvocal consigo mesmo (e o Davies também faz contraponto grave, o que fica excelente) quanto quando canta do seu jeito nos versos. O teclado Rhodes que o Hodgson usa cria mais uma camada pra faixa, e tudo funciona tão bem que consegue desbancar a “Crime of the Century” como melhor música do álbum, mas o disco todo é ainda fundamentalmente perfeito. Não há faixas ruins de quais se pode falar nesse projeto.

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