Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Night Driver (2016)

Álbum de Busted

Acessos: 144


Descartavelmente gostoso

Por: Roberto Rillo Bíscaro

23/12/2020

Busted, trio formado por James Bourne, Matt Willis e Charlie Simpson, em 2000, gerou um par de álbuns bem-sucedidos na sua nativa Grã-Bretanha, onde seu pop-punk (ugh!) mela-calcinha estampou muita capa de revista teen antes da dissolução em 2005. Mas, em 25 de novembro, de 2016, a ex-boy band voltou, com Night Driver, álbum calcado nos 80’s, que atingiu o 13º lugar na parada inglesa.

Essa reencarnação do Busted abraçou a produção polida do AOR oitentista: Out Of Our Minds, One Of A Kind e I Wil Break Your Hearts foram cuidadosamente planejadas para serem ouvidas num passeio por freeway californiana. Night Driver foi produzido em Los Angeles e até o logotipo do trio lembra o design ianque dos 80’s. Tem bateria eletrônica, bastante sax, power ballad (New York) para cantar no show com celular aceso, porque isqueiro lembra cigarro e esse hábito é coisa daqueles primitivos anos 80! 

A faixa-título nos faz dançar como Hall & Oates, circa 1984. É isso; Night Driver soa como delícias esquecidas como Go West, Glass Tiger; até Toto. É como ouvir FM comercial nos meados da Melhor Década. Até os vocais de vez em quando lembram Hall & Oates e Sting. De mais moderninho, só On What You’re On, mas nos termos retrô do Daft Punk ou Capital Cities: tem solaço de sax e vocoder, mas é hip, porque tem o feeling neandertal do atual pop-cabeça, sem soar neandertal. Kids With Computer tenta vibe mais electro-modernete também, com Autotune e tudo, mas sei lá, me veio sensação Kim Wilde early 80’s na cabeça... 

Felizmente, o passado pop punk (ugh!) só é detectado em 2 faixas: Easy tem aquela vozinha enjoativa de muito do subgênero, mas o arranjo é pop-roquinho bem diluído, baladinha mesmo, porque afinal, agora aquela geração de teens é trintona e barulho já chega o que fazem os filhos. Coming Home, a faixa de abertura, parece apontar para álbum mais roqueirinho, mas a enxurrada de teclados avisa que o passado “acústico” foi enterrado. Depois dessa deletável abertura é que vem delícias como Without It, com faceless mid 80’s de Cutting Crew e refrão grudento. Mas, aí está a questão: por quanto tempo?

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.