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Resenha: Breathless (2017)

Álbum de Phil Perry

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Linda voz, que parece não envelhecer

Por: Roberto Rillo Bíscaro

22/12/2020

O trabalho de Phil Perry pode não ter atingido sucesso de massa, mas é volumoso em quantidade e qualidade. Ao longo das décadas, sua voz de cetim tem sido usada solo ou como músico de estúdio, em álbuns de Chaka Khan, Barbra Streisand, George Benson, Sérgio Mendes e mais uma legião urban jazz.

Dia 24 de fevereiro, de 2017, o sortudo que se apresentaria em um bar à hora do almoço, no World Trade Center, bem naquele dia, naquele setembro, daquele ano, lançou seu décimo-segundo álbum, Breathless. Para fãs de música negra norte-americana bem ap(u/a)rada, produzida e executada, o título “sem fôlego” é pertinente. Uma dezena de canções deliciosas, do tipo perfeito para FMs chiques (ainda existem?).

Perry começou a carreira na primeira metade dos anos 1970, quando cantar em falsete estilo Philly Soul estava em alta. Uma das características do vocalista tem sido precisamente a capacidade de soltar agudaço no meio de um fraseado aveludado de seu registro mais grave. Aos 65 anos, é preciso ir direto ao que interessa: sua voz está perfeita, parece que o tempo não passa. Se quiser certificar-se disso antes de ouvir todo o LP, vá a Heaven’s Away e fique passado com os agudos nesse jazz soul bem 1970’s, com trecho falado e tudo.

Sem ilusão de que poderia agradar a muita molecada da atual geração, Phil nem liga para se modernizar, ainda que tenha filho rapper. O mais contemporâneo – descontada a produção, que não é retrô – a que está disposto a chegar é ao quase acid jazz de Do Watcha Gotta Do. 

Never Can Say Goodbye poderá remeter ao maior sucesso de Stephen Bishop, no comecinho e é baladaça urban soul de melar cueca, calcinha, tudo. Romântico, elegante, cristalino são adjetivos adequados para Breathless. Confira o urban jazz de Nobody But You ou da faixa-título e veja como é elegante

Quando regrava clássicos, Phil sai ileso (quase). O jazz gospelizado (gospel jazzificado?) Love’s In Need Of Love Today, de Steve Wonder, é paraíso de harmonia vocal e instrumentação. Nos quesitos técnicos de interpretação, produção, harmonia, One Less Bell To Answer está perfeita. Imagine o traquejo e desenvoltura de Perry interpretando a melodia de Mestre Bacharach. A letra de Hal David foi alterada pra perspectiva masculina, porém, e demora pra esquecer versos prosaicos, mas tão descritivos como “one less egg to fry”.

Os 2 minutos e Is It You? não são suficientes para desenvolver seu potencial e a canção acaba parecendo apenas antessala para Nobody But You. Mas, Perry prova na derradeira Moments In The House Of Love que tamanho não é documento. Não chega a 3 minutos, mas é jazz tradicional pianado, fecho de ouro para um álbum quase irretocável.

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