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Resenha: Three Friends (1972)

Álbum de Gentle Giant

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Composições excepcionais, verdadeiramente progressivas e inventivas.

Por: Tiago Meneses

29/01/2018

Three Friends é o terceiro álbum do Gentle Giant, uma continuação da mistura de diferentes gêneros musicais que eles já começaram em sua estreia e refinaram em seu segundo álbum Aquiring the Taste. Hard rock, música de câmara, avant-garde e belas harmonias vocais. O disco é conceitual e tem o fio condutor sobre três amigos e seus diferentes caminhos na vida, um conceito bastante inocente. História bastante simples, mas agradável e às vezes nostálgica. Mas mais do que liricamente, a atração principal do álbum é a musicalidade excepcional e a interação entre os diferentes instrumentos e vozes, além de claro, as fantásticas composições. 

Como sempre na abertura, neste caso através da faixa “Prologue”, a banda já demonstra que se trata de mais um disco bastante especial. Esta música é tão atrativa que me lembro até hoje que após as minhas duas primeiras audições seguidas do disco quando o conheci, eu me peguei cantarolando a sua melodia central algumas vezes. Melodicamente bem dirigida, os instrumentos estão em uma interação brilhante. Gentle Giant tem a capacidade muitas vezes de construir passagens dissonantes sem cruzar os limites da racionalidade. Os vocais são bastante interessante, principalmente por conta das vozes multicamadas, outra forte característica da banda. Uma abertura excelente. 

"Schooldays" apresenta interações vocais maravilhosas, tempos complexos, um trabalho de baixo vigoroso, pausa para um piano e um solo de vibrafone com bastante groove. Os vocais possuem uma atmosfera assombrosa quando se fundem aos instrumentos. Impressionante como o Gentle Giant conseguia passear por tantos caminhos musicais em tão pouco tempo, sem nunca precisar criar um épico pra isso como as demais bandas de rock progressivo da época. 

O disco segue em alto nível agora através de “Working All Day", o vocal principal novamente magnífico e os coros são ótimos, mas o que realmente faz esta música brilhar é quando o sax se mistura com o órgão hammond. A música entra em uma linha psicodélica misturado com sonoridades à lá Van der Graaf Generator. As linhas de baixo também são soberbas. 

Em “Peel The Paint”, a primeira parte é uma música cantada de forma calma em uma entrega serena e íntima. Tem como acompanhamento uma cama de cordas bastante inspirada. Após a segunda parte que é bem mais pesada, uma improvisação de guitarra acompanhada pela bateria toma de conta do ambiente. Outro ponto importante a se observar nesta música é que as passagens dissonantes se transformam em seções jazzy de tal forma que mesmo um não fã da banda deve se render as habilidades dos músicos

"Mister Class and Quality" é uma mistura muito bem elaborada de progressivo, jazz, folk céltico e blues, com incríveis performances de órgãos e violinos, nem um único momento para descansar, os trabalhos de guitarra e hammond, sejam base ou solo são fora de série. O riff central com que a música se desenvolve é um pouco repetitivo, mas nem assim estes caras conseguem deixar algo sem qualidade. 

Com sua música mais curta, Three Friends chega ao fim de maneira apoteótica através da faixa título. Vozes semelhantes a corais e belas harmonias de órgão de igreja faz parecer que a banda se tornou o Yes ou Genesis por um pequeno espaço de tempo. Uma parte instrumental dominada por um órgão interessante encerra a música e o álbum. 

Three Friends não é um disco conceitual com enchimentos desnecessários, é um disco de uma história simples, direta e muito bem contada ao longo de composições excepcionais, verdadeiramente progressivas e inventivas. 

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