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Resenha: Holy Diver (1983)

Álbum de Dio

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Início meio perdido cria álbum com poucos hits e muito filler

Por: José Esteves

01/12/2020

O sucesso de “Heaven and Hell” trouxe a Ronnie James Dio frutos inesperados, na forma de um contrato como artista solo com a Warner. Dio nunca tinha se visto como artista solo, preferindo a camaradagem de uma banda, mas após a direção menos fantástica do “Mob Rules”, Dio se via mais uma vez sozinho. Sozinho não; Vinny Appice sai junto com ele do Black Sabbath, na expectativa de criar uma outra banda. Na procura de um guitarrista, Dio contacta Jimmy Bain, ex-baixista do Rainbow da época do Rising, que conhece Vivian Campbell, guitarrista do Sweet Savage. Apesar de ninguém ter oficialmente convidado Jimmy Bain pra banda, ele apareceu no primeiro ensaio e a banda estava completa. O nome Dio é escolhido apenas por razões de marketing (Dio sempre disse que nunca viu a banda “Dio” como ele sozinho), o que cumpre sua função: o álbum é incrivelmente bem recebido, conquistando certificação platina, permanecendo nas listas de melhores álbuns de metal de todos os tempos até os dias de hoje.

Não tem nada de conceitualmente errado com o álbum. Na teoria, ele deveria funcionar perfeitamente bem: Dio é uma pessoa com uma capacidade até alta de compor letras e músicas, comprovadas pelos anos de Elf, Rainbow e Black Sabbath e o Vinny Appice é um baterista de qualidade que mostrou sua capacidade no Mob Rules. Talvez tenha sido apressado demais em sua forma, com músicas que não são excelentes ou espetaculares em sua maioria, ainda mais se considerar que o Jimmy Bain era a pior parte do Rainbow na época do Rising e o Campbell não é nem o Blackmore nem o Iommi. Considerando que o Dio compôs as músicas na guitarra, sendo que ele não é nenhum guitarrista espetacular, as músicas ficaram simples demais, sem nada muito especial entre os hits gigantes que o álbum produziu (e que são gigantes por uma razão). Além disso tudo, pelo fato dele ser um precursor importante para o heavy metal na década de 80, muitos já pegaram esse som e aperfeiçoaram ele, dando ao álbum todo um clima de ultrapassado e com uma produção não muito excelente.

As faixas gigantes são gigantes por uma razão: as duas principais do álbum, a epônima “Holy Diver”, com seu clima de épico e sua bateria em marcha, funciona fantásticamente bem, e “Rainbow in the Dark”, são massivas e incrivelmente bem feitas. Agora, entre essas duas tem uma onda de faixas genéricas e sem muita expressão que não mereciam estar num álbum tão qualificado quanto esse: “Caught in the Middle” é um heavy metal genérico com algumas escolhas erradas quanto as camadas de guitarra que acaba incomodando mais do que ajudando; “Shame on the Night” parece uma faixa recusada do Black Sabbath; e “Invisible” é uma tentativa de ser um rock pesado que merecia ter passado mais um tempo na mesa de produção. No geral, o som até tem qualidade (“Stand Up and Shout” funciona muito bem como introdução, apesar da bateria ficar repetitiva logo), mas está evidente que o Dio estava meio perdido no começo da carreira de sua nova banda.

A melhor faixa do álbum é a “Rainbow in the Dark”, uma música que era pop demais para o Ronnie Dio da época, que ameaçou cortar ela fora do álbum depois de gravá-la. O solo de guitarra é bom, o teclado não é nem um pouco incômodo (teclado esse que era a maior reclamação quanto a estar pop demais), a bateria brilha um pouco. Se o álbum tivesse descambado para essa área do metal, algo mais leve e mais divertido, talvez o disco tivesse ficado mais interessante de um ponto de vista específico.

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