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Resenha: Never Say Die! (1978)

Álbum de Black Sabbath

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Último disco do Ozzy no Black Sabbath simplesmente não tem boas faixas

Por: José Esteves

23/11/2020

Mesmo com o fracasso comercial do disco anterior, a banda continuava a se tornar um sucesso cada vez maior na mídia, sucesso esse que quebrou o Black Sabbath de vez: em meio a mais uma crise, Ozzy Osbourne deixa a banda, sendo substituído pelo Dave Walker, vocalista do Savoy Brown e do Fleetwood Mac. Após algum tempo, Ozzy volta a banda e se recusa a gravar as músicas que haviam sido escritas para Dave Walker, então a banda volta a estaca zero. O uso de drogas e o ego estavam tão em alta que a banda mal se comunicava, lançando um disco que os membros posteriormente viriam a sentir vergonha; apesar disso, o álbum atinge certificação ouro com o hit single “Never Say Die!”, mesmo que a crítica tanto da época quanto a moderna critiquem severamente o resultado final. Esse viria a ser o último álbum com o Ozzy até 2013.

Ninguém reouviu o álbum antes de entregar ele para seja lá quem quisesse lançar. É um disco com ideias ruins que não passaram por nenhum crivo ou veto. Fora estão os riffs pesados e a teatralidade, dentro estão arranjos de jazz e sintetizadores. O vocal do Ozzy é irritante, a guitarra do Tony Iommi é mal encaixada e mal produzida, a bateria do Bill Ward é repetitiva e tendendo a eletrônica. Praticamente nada nesse álbum funciona, exceto alguns momentos muito pequenos para serem considerados “pontos altos”. Tem um solo de saxofone nesse álbum e nenhum clima de Black Sabbath.

As faixas, todas, tem péssimas ideias no meio. Tem “Breakout”, a instrumental, geralmente palco para o Tony Iommi testar as ideias dele e demonstrar qualidade no violão, é um palco para um solo de saxofone. “Air Dance” e “Swinging the Chain” entram completamente em ritmos de jazz que não fazem o menor sentido para a música, colocando o Ozzy e o Tony Iommi pra competir com uma bateria esquisita e repetitiva que não deixam eles crescerem. “Shock Wave”, “A Hard Road” e “Never Say Die” são hard rocks óbvios com momentos inteiros em que a música simplesmente não faz sentido. Era só ter alguém que se importasse com o jeito que as músicas estavam ficando que esse álbum não teria sequer visto a luz do dia. Talvez tivesse sido melhor que o vocalista do Fleetwood Mac assumisse, considerando o resultado final.

A melhor faixa do álbum é a mais gótica delas, “Junior’s Eyes”. Tem psicodelismo, o que é sempre bem vindo, tem um baixo de alguma qualidade e o vocal do Ozzy funciona nessas faixas mais melancólicas. Apesar de ser a melhor faixa do álbum, é medíocre e não demonstra nada do que o Black Sabbath tem de melhor, o que é uma pena. Infelizmente, como álbum de despedida da banda com sua formação original, esse álbum simplesmente não funciona de jeito nenhum.

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