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Resenha: Canta Para A Juventude (1965)

Álbum de Roberto Carlos

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Cantando e conquistando a juventude!

Por: Débora Arruda Jacó

22/11/2020

No mês de abril de 1965, Roberto Carlos lançava mais um grande trabalho: “Roberto Carlos Canta para a Juventude”, álbum com fortes influencias dos ídolos do rock daquela época -  Beatles, Elvis Presley, Rolling Stones, The Animals e Dave Clark Five. É um trabalho que marca a fase roqueira e adolescente de Roberto, o que pode ser percebido em canções como “Noite de Terror” e “Os Sete Cabeludos. Nessa fase, RC contava com o apoio do grupo The Youngsters e do organista/tecladista Lafayette. Enfim, a Jovem Guarda estava em plena ascensão quando esse Álbum do Roberto foi lançado (RC, como vou me referir daqui por diante). Vamos às analises!

O álbum abre com a excelente versão de RC para a canção “Old Man Mose” (Louis Armstrong/ Zilner T. Randolph): “História de Um Homem Mau”, com ótima sonoridade (lembra um pouquinho “O Calhambeque” - 1964). A segunda faixa é o rockabilly “Noite De Terror” composta por Getúlio Côrtes – o “rei” já inicia a canção emitindo aquele grito de “mau” para contar uma saga de “terror”. Aflorando o seu lado “Beatle”, Roberto interpreta a composição de Helena dos Santos, “Como é Bom Saber” - com levas de guitarra muito parecidas com as dos Beatles e toques de sax. A parceria Roberto/Erasmo Carlos aparece na quarta canção “Os Sete Cabeludos”, influenciada pelo surf rock que narra a briga de rapazes por uma moça chamada “Lili”. A quinta música segue também os moldes sonoros dos “Beatles”: “Parei... Olhei”, composta por Rossini Pinto. A faixa “Os Velhinhos” é de José Messias, uma balada marcada pelo órgão de Lafayette e com letra que aborda o amor e a velhice.
A faixa sete é composição de Roberto e Erasmo Carlos: “Eu Sou Fan do Monoquini”, com o conhecido “Lá-lá-lá” em sua introdução, mais um sinal da influência surf rock na música de RC nos anos 1960. A próxima música é “Aquele Beijo Que Te Dei” do compositor Edson Ribeiro, um dos mais requisitados por RC. É uma balada romântica que narra a saga de um rapaz apaixonado, que tem por lembrança um beijo que provavelmente não acontecerá novamente. A faixa nove é a divertida “Brucutu” (personagem de HQ), e versão da original “Alley-Oop”, do compositor Dallas Frazier. O responsável pela versão tupiniquim foi Rossini Pinto, outro compositor bem requisitado por Roberto Carlos nesse tempo. 
A décima é “Não Quero Ver Você Triste”, muito marcada pelo som do órgão de Lafayette. Na verdade, Roberto “declama” a letra, que é uma espécie de consolação para a sua “musa”. Composta por Roberto e Erasmo Carlos. “A Garota do Baile” é uma bela balada no estilo “Beatle”, mas com pinceladas de twist e muito marcada por solos de saxofone. A letra narra o episódio de um rapaz que deseja dançar com uma moça e quando está prestes a perder a esperança, ela finalmente concede a dança. Letra romântica e inocente, certamente um dos melhores momentos do trabalho – também foi composta por Roberto e Erasmo Carlos.
O álbum é finalizado com a composição “Rosita”, de Francisco Lara e Jovenil Santos: uma balada que tem no início, um solo de gaita (que remete aos que John Lennon realizava nos primeiros tempos dos Beatles). Não que nas demais faixas não tivesse, mas me chamou a atenção o baixo aqui – muito bem executado. É uma canção bonita e o defeito (se é que posso denominar assim) é a pouca duração. 

Enfim, mais um trabalho memorável do “rei” que vale a pena conhecer.

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