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Resenha: Roberto Carlos (1966)

Álbum de Roberto Carlos

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Mais influência dos Beatles: até na capa do disco!

Por: Débora Arruda Jacó

22/11/2020

No trabalho anterior, Roberto Carlos (RC) deixava claro a grande influência do rock – norte americano e também dos Beatles - e no seu sexto trabalho, não seria muito diferente. Lançado no mês de dezembro de 1966, esse álbum contou com a reformulação de sua banda de apoio (The Youngsters) que agora contava com o tecladista Antônio Wanderley e José Provetti na guitarra, além da participação em maior escala, do produtor Evandro Ribeiro. A capa do álbum é muito parecida com a dos Beatles, (“With the Beatles”). O álbum é também marcado pelo “rompimento” com Erasmo Carlos e por esse motivo, algumas canções têm apenas a assinatura de RC. Apresentada a introdução, vamos às analises individuais das faixas.

O álbum abre com a excelente (e um pouco “adocicada”) “Eu Te Darei o Céu”, ainda uma parceria entre Roberto e Erasmo Carlos. Sonoridade muito boa, nos moldes do bom rock’n’roll e a interpretação “dramática” de RC é ótima. A segunda faixa é a romântica “Nossa Canção”, com aquela linda introdução, violão belamente executado por Olmir Stocker e percussão competente de Dedé Marques. A letra foi escrita por Luiz Ayrão. A terceira é a famosa “Esqueça”, versão de Forget Him (Mark Anthony) feita por Roberto Corte Real e é considerada um clássico pela maioria dos fãs de RC. O cantor Fábio Jr. realizou com sucesso uma versão em 1993. “Negro Gato”, de autoria de Getúlio Côrtes é de primeira linha e se tornou um dos maiores sucessos de RC – sai do romantismo, seguindo mais uma levada rock’n’roll. Memorável. A sexta faixa é a balada romântica e ingênua (o que não é negativo, muito pelo contrário): “Eu Estou Apaixonado por Você”, composta por Roberto e Erasmo Carlos. Apresenta belos riffs, uma bela sonoridade – uma das melhores canções do álbum. A sétima é a não menos famosa “Namoradinha de Um Amigo Meu”: uma ótima canção, rock no melhor padrão “Beatle” – ótimos riffs, destacando também o órgão tocado por Antônio Wanderley. A letra aborda um fato que pode sim, acontecer com alguém: se apaixonar pela namorada de um amigo. RC interpreta a canção maravilhosamente. A sonoridade dos instrumentos, dá ainda mais o tom “dramático”, mas em nenhum momento a faixa se torna monótona. Nota dez!
A seguinte é a balada composta por Edson Ribeiro: “Não Precisas Chorar”. A construção da letra me chama um pouco a atenção: o título é conjugado em segunda pessoa, mas no interior da canção o compositor utiliza outras formas de conjugação – “Não precisa chorar/É teu, somente teu, meu coração...” Ou seja: o autor da letra realiza um interessante “jogo” de palavras com pronomes e verbos, tornando-a peculiar. “É Papo Firme” é uma canção bem rock’n’roll, destacando a instrumentalização (riffs, sons dos teclados/órgãos, boa linha de baixo). A letra fala de uma garota “moderna”, a frente de seu tempo. Particularmente, acredito que a letra foi dedicada à cantora Wanderléa, mas quem terminou “respondendo” foi outra da jovem guarda, Waldirene. “É Papo Firme” é composição de Renato Corrêa e Donaldson Gonçalves. 
A penúltima canção é “Esperando Você”, que inicia com uma bela introdução de guitarra. É uma balada romântica, composta pela pontual letrista/compositora Helena dos Santos. Atenção para o solo de órgão que finaliza a música. O álbum é finalizado com a faixa “Ar de Moço Bom”, composição de Niquinho e Othon Russo - é uma bonita canção de amor. Roberto realiza uma bela interpretação.

Mais uma grande realização do nosso “rei” Roberto Carlos. Vale dar uma conferida!

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