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Resenha: Live at Castle Donington (1983)

Álbum de Whitesnake

Acessos: 75


O lado mais obscuro, bluesy e genial do Whitesnake!

Por: Márcio Chagas

21/11/2020

As fases e a mudança de sonoridade ocorrida no grupo de David Coverdale dão base para acaloradas discussões entre os fãs mais ardorosos do Whitesnake e  do rock em geral.

Há quem prefira a primeira fase, mais bluesy em detrimento da segunda, mais hard rock. De certo modo, as mudanças ocorridas na sonoridade da banda é até compreensível, uma vez que sua formação está em constante mudança. Pelo grupo já passaram uma infinidade de guitarristas, baixistas, bateristas e tecladistas, permanecendo apenas Mr. Coverdale, o dono da bola. De todo modo é inegável a qualidade do grupo em todos os seus álbuns lançados. 

Particularmente prefiro a primeira fase, mais influenciada pelo blues e com doses de soul e hard, conseguindo uma mistura heterogênea e funcional. Por este motivo sempre fui fascinado com este show, lançando em VHS nos anos 80 e posteriormente em DVD.

A apresentação mostra um grupo maduro, sólido, com uma de suas melhores formações, em fase de transição entre a primeira e segunda fase. Eles lançaram o ótimo “Saints & Sinners” um ano antes e como é de praxe a banda sofreu alterações para sair em turnê. É possível notar no DVD que Coverdale manteve a dupla de guitarristas Bernie Marsden e Mel Galley, além de seu antigo parceiro de Deep Purple Jon Lord. 

Porém a cozinha foi modificada pela saída repentina do baixista Neil Murray (que voltaria a tempo de gravar o próximo disco) e do baterista Ian Paice. Sem perder tempo Coverdale recrutou Colin Hodgkinson, exímio baixista, conhecido por atuar no grupo fusion Back Door. Para bateria veio a lenda Cozy Powell, um dos maiores bateristas de rock de todos os tempos que havia deixado o Michael Schenker Group pelas famosas diferenças pessoais.

Marsden e Galley se completam com seus estilos distintos: O primeiro soa mais rocker e despojado, enquanto o segundo tem uma pegada mais bluesy, imprimindo mais versatilidade no som da banda. Lord é seguramente, o maior tecladista de rock que já apareceu neste planeta, fervendo seus teclados e hammonds e criando uma parede sonora que se rivaliza com as guitarras.

Hodgkinson e Powell formam uma dupla perfeita. O baixista é versátil e melódico e o baterista imprimiu um novo peso e vigor nas apresentações ao vivo. 

Com um time desses, Coverdale e Cia entram em campo com o jogo ganho. A banda coesa, estava preparada para seguir o vocalista a qualquer sinal de seu comando e mesmo improvisar quando fosse necessário. 

Isso fica bem claro ainda na primeira canção, “Walking In The Shadow Of The Blues”, com David cantando como nunca, muito a vontade em meio a parede sonora fornecida pela banda. Ainda temos outros clássicos da primeira fase como “Ready An'Willing”,  “Ain't No Love In The Heart Of The City”, com uma interpretação pra lá de passional e o primeiro hit do grupo, "Fool For Your Loving”;

Foi incluída ainda no set list  “Guilty Of Love”, que só entraria no ano álbum, e o clássico do Purple “Mistreated”, canção que Coverdale sempre se  destaca. 

Apesar de toda banda soar fantástica, não tem como deixar de elogiar a performance de Cozy  Powell, que sobe no palco com sangue nos olhos, demonstrando,  desde a primeira música,  como aliar peso, força e técnica no seu instrumento. Também vale mencionar que o baixista Hodgkinson não foi mostrado em close nem uma vez! O que me leva a crer que pode ter sido por problemas contratuais.

“Live at Donington 83” É um show que, embora curto, se torna cativante pela qualidade dos músicos e das canções, o que torna o produto essencial para os fãs da banda e do bom e velho rock.

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