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Resenha: The Devin Townsend Band: Accelerated Evolution (2003)

Álbum de Devin Townsend

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As músicas são ótimas e consistentes, mas desta vez, menos complexas e pesadas

Por: Tiago Meneses

21/11/2020

Uma ótima sequência para a obra-prima Terria, e apesar de não carregar com ele o mesmo selo do anterior e faltar mais experimentações e loucuras criativas, é um disco bem sólido e muito bom para “bater cabeça”. Talvez a melhor coisa que este disco tenha para oferecer é a sua incrível energia, seja ela através de instrumentais matadores ou em alguns desempenhos vocais os quais Devin se entrega de uma forma que mais parece disposto a extrair as suas faringes. 

“Depth Charge” se inicia com uma breve ambientação, mas logo começa a “socar” o ouvinte com todos os instrumentos se preparando para iniciar de fato a faixa. Os versos desta música são muito rápidos e também agressivos, enquanto que os riffs de guitarra como sempre é um show a parte e chamam bastante atenção, nos prendendo junto de um trabalho de bateria que é bastante sólido. Os vocais de Devin, como sempre, estão ótimos. Um começo de disco arrasador que prende o ouvinte do primeiro ao último segundo. 

“Storm” começa sem dar muito tempo para que o ouvinte respire e/ou descanse da faixa anterior. Os versos aqui são mais desacelerados e Devin canta de uma forma muito mais descontraída e sem exigir muito de si. A vibração que essa música carrega é bastante feliz. Apesar de diferente, a qualidade se mantem em relação à faixa de abertura, onde novamente são apresentados alguns riffs fortes. No final Devin canta de maneira incrível e cheia de emoção – particularmente eu inclusive me arrepio. 

“Random Analysis” é onde eu tenho que admitir que as coisas soam um pouco mais fracas. Obviamente que eu não quero dizer que se trata de uma música ruim, mas eu a considero um pouco repetitiva – principalmente pra uma faixa de seis minutos. No fim, lhe falta a intensidade que as demais possuem. “Deadhead”, com pouco mais de oito minutos é a faixa mais longa do álbum. Tem um riff fantástico de abertura do tipo que já anuncia que o que vem pela frente não é algo de baixo padrão. É a música mais lenta do disco e a de melhor performance vocal, onde cada palavra consegue transmitir uma emoção verdadeira para o ouvinte. Os riffs mais lentos e a bateria são um show a parte. A guitarra do interlúdio não é apenas o destaque da música, mas um dos estaques musicais de todo o álbum. Uma das músicas mais lindas que Devin já compôs. 

“Suicide” é outra faixa maravilhosa. Começa primeiramente com uma guitarra, vai sendo ambientada pela bateria, mas não demora muito até que todos os instrumentos atingem o ouvinte com força e começa a pavimentar música. A faixa permanece sempre com uma atmosfera obscura impulsionada por algumas batidas fortes e um riff de guitarra incrível que também conduz a música maravilhosamente bem. “Traveller” vai trazer de volta aquela vibração mais feliz que não foi ouvida nas duas últimas faixas. Embora possamos considerar este momento algo mais descontraído, Devin não deixa de escapar aquilo que ele mais gosta de fazer, ou seja, um som agressivo. Novamente uma faixa menos interessante, digamos assim, mas mesmo assim, muito boa através dos seus riffs legais e uma bateria sólida. 

“Away” é a música a qual menos houve uma conexão comigo, por mais que eu a tenha ouvido muitas vezes – até porque é assim que em muitos casos funcionam as músicas de Devin. Ela é boa, mas não me importaria em pular. É principalmente instrumental e os poucos vocais são meio sem graça – sendo que ele é algo que sempre elogio. A guitarra como sempre é de muita qualidade, mas no fim, a música parece até mesmo muito maior do que deveria e tudo acaba parecendo meio arrastado – incluindo a guitarra. 

“Sunday” é mais uma peça muito boa e que tem uma levada mais lenta. Como de costume, os vocais estão muito bem feitos. Não é um dos momentos mais relevantes do álbum, mas ainda assim é muito boa. Possui um solo mais delicado do que os que Devin costuma produzir. Quando vai se aproximando do final, a faixa mesmo que de uma maneira contida, ganha uma agressão que a liga diretamente a música seguinte. “Slow Me Down” é a que encerra o disco. Não é a melhor faixa, mas com certeza é a mais contagiante do álbum. Extremamente animada e tão cativante, que dificilmente nenhuma de suas partes deixará de ficar nem que seja um pouco presa na sua cabeça. Um final de disco perfeito em um clima quase de festa. Música muito boa não apenas para encerrar o álbum, como também ficaria ótima para encerrar os concertos de Devin.

No geral, é um disco interessante, sendo que a sua primeira metade pode agradar mais que a segunda, caso você já seja mais familiarizado com a música de Townsend. Ainda que não seja perfeito dentro daquilo que podemos esperar dele, não deixa de ser um grande esforço com muito mais pontos altos do que baixos.

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