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Resenha: Prison of Desire (2000)

Álbum de After Forever

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Erudito, pesado e sombrio!

Por: Tarcisio Lucas

25/01/2018

A década de 90 foi um período bastante interessante dentro da história do Heavy Metal. Uma grande parte das bandas que temos hoje são provenientes dessa época, ao passo que outras, que já estavam na estrada desde a década de 80, consolidaram ainda mais suas sonoridades e seu público.
Muitos estilos se surgiram ou se fortaleceram nesse período, e entre esses estilos havia um que causou grande furor desde seu aparecimento, mas que sofreu muito com o teste do tempo, como o futuro provou. Estamos falando, claro, do Gothic Metal, mais especificamente das bandas de gótico que ficaram conhecidas por aquele que seria conhecido como estilo “Beauty and the Beast”, onde vocais guturais e passagens mais ligadas ao death/doom/Black metal alternavam com vocais femininos suaves, as vezes operísticos, e instrumentais mais etéreos e/ou eruditos.
Foi uma verdadeira febre, com dezenas de bandas surgindo a cada ano, o que acabou por saturar enormemente o estilo em si mesmo, à longo prazo provando mais uma vez que quantidade nem sempre é sinal de qualidade. A maioria dessas bandas repetiam a mesma fórmula em todas a canções, e a criatividade ficava, infelizmente em segundo plano, o que acabou por cansar até mesmo os mais verdadeiros fãs do gênero (como eu).
Mas dentro de tanta concorrência, algumas bandas se destacaram pela qualidade. Entre estas, podemos citar o Theatre of Tragedy, o Trial of Tears, Tristania. E também o After Forever.
A banda, originária da Holanda surgiu no ano de 1995, sendo “Prison of Desire” a sua estreia oficial, gravado no ano de 1999, e lançado em meados do ano 2000. Entre os destaques da banda, estava a imensa referência à musica erudita nas composições , e a voz da jovem vocalista Floor Jansen, então com 19 anos, que mais tarde se tornaria ainda mais conhecida por ser escolhida a vocalista oficial da banda finlandêsa Nightwish.
Mas seria injusto dizer que esses eram os únicos atrativos da banda.
“Prison of Desire” primava por uma produção musical de altíssimo nível, soando muito pesado e ao mesmo tempo bastante erudito, além de muitos instrumentos típicos de orquestra acrescentados de forma cristalina dentro das composições. A apresentação visual do material – capa, fotos dos integrantes, encarte – captava perfeitamente o clima que a banda propunha a passar, uma atmosfera ao mesmo tempo sombria e densa, onde a voz angelical de Floor Jansen propunha um contraste diáfano, difícil de ser definido e que marcava logo nas primeiras audições.
O álbum já começa com a introdução “Mea Culpa”, com enfoque totalmente vocal, uma composição perfeita para criar o clima que permearia todo o álbum.
O nome da banda foi inspirado por uma música do Black Sabbath, que atende pelo mesmo nome. E de fato, é possível perceber forte influência nas músicas, uma vez que o guitarrista e principal compositor da banda, Mark Jansen, também responsável pelos vocais guturais, e que anos depois ficaria conhecido por ser um dos fundadores da  banda Épica, apresenta riffs certeiros, bem construídos, pesados, sombrios e que certamente são inspirados pelas cordas de Tonny Iommi.
Liricamente, nenhuma novidade. A banda aborda os temas tão queridos pelos fãs do gótico metal na época: conflitos existênciais, uma certa veneração pelo lado sombrio da vida, o tema da morte como assunto recorrente, vampirismo ( ainda que não explicitamente). Certamente um deleite para quem gosta dessa abordagem (como é o meu caso).
Mas ficaria impossível terminar uma resenha desse álbum sem falar especificamente sobre a performance de Floor Jansen. Aqui temos uma estreia no mínimo soberba. Apesar de extremamente nova, a cantora mostrou uma confiança rara. Dona de uma técnica precisa, e de uma afinação acima de qualquer suspeita – o que, convenhamos, não era a regra dentre as bandas do estilo que surgiram na época – e de uma presença de palco bastante animada, foi certamente o começo de uma bem sucedida carreira, que continua rendendo grandes frutos até hoje.
Os anos passaram, e a saturação do estilo levou as próprias bandas a buscarem outras sonoridades. O After Forever manteve-se fiel à essa proposta até o segundo disco, “Decipher”, mas depois foi introduzindo elementos de metal tradicional cada vez maiores nas composições, e ao final de sua discografia certamente não poderia mais ser classificada como uma típica banda de gothic metal.
Agora que tudo isso passou, e que o estilo ficou esquecido por um tempo – as bandas que continuaram, em sua maioria, mudaram bastante de abordagem, como o Tristania, ou simplesmente acabaram como foi o caso do Theatre of Tragedy ou The Sins of Thy Beloved –é uma experiência interessante pegar esses discos de qualidade inquestionável e ouvir com ouvidos frescos.
Ideal para noites de tempestade, sessões de Vampiro: A Mascara, ou festas de halloween!

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