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Resenha: Chapters (2016)

Álbum de Yuna

Acessos: 60


Capítulos da vida vindos da Malásia

Por: Roberto Rillo Bíscaro

20/11/2020

A decolagem da carreira de Yunalis Mat Zara'ai é cada vez mais comum na era internética. A estudante de advocacia da Malásia postou vídeos de seu trabalho musical no outrora badalado MySpace. Os acessos foram tantos que uma gravadora independente a contratou e desde 2011, Yuna ascende, penetrando inclusive o duro mercado norte-americano, porque seus álbuns são em inglês e a moça já trabalhou até com Pharrell Williams.

Recomendado pela MTV e pela revista Rolling Stone, de maio de 2016 é Chapters, que até galgou colocações no Top Ten R’n’B, da Billboard. A edição padrão tem 10 faixas e a de luxo 3 a mais. Compensa a turbinada.

O pop soul de Yuna vem com produção esparsa, com ampla oportunidade para sua cristalina voz brilhar. A sonoridade é atual, mas é um pouco calcada nos anos 90, usando de modo bem mainstream o que já foi alternativo. Sabe aquele lance de usar ruídos de electronica para construir uma melodia? Confira Lanes. Desde os primeiros LPs de Bjork ouvimos isso, que hoje é comum. E não é que o início da Your Love lembra muito a islandesa, antes de virar deliciosa Nu Disco?!

Chapters dialoga com famosas da hora, como Lorde e Sia, mas também não soará alienígena para admiradores de coisas mais alternativas como a canadense Elsiane. Nem para ouvintes cronologicamente mais vintage: Unrequited Love tem personalidade Yuna, mas há algo Sade Adu na inflexão. O mesmo com a podridão de chique deslizante de Best Love.

Fãs de pop music não carecerão de melodias grudentas. Desde o maravilhoso dueto com Usher (Crush) até Too Close, neta da Motown. Tem balada-arraso cantada com Jhené Aiko (Used To Love You) e até flerte com anos 50 no pianinho de Poor Heart, aí já no território das bonus tracks da Deluxe Edition.

É nesse adendo de 3 faixas que está a mais fraca. Places To Go tem clima de hip hop ameaçador que não convence nem criança, mas a melodia cantada simplesmente salva a canção. Prova do poder sutil de Yuna, aquela mesma qualidade vocal de Roberta Flack (só não sei se os fãs tão vintage assim, curtiriam os arranjos de Chapters). Mas a edição de luxo já estaria justificada pelo excelente pop da derradeira Time, totalmente autobiográfica, explicando o título do álbum como capítulos na vida de um indivíduo.

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