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Resenha: Ziltoid The Omniscient (2007)

Álbum de Devin Townsend

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Uma impressionante realização multi-instrumentista de Townsend

Por: Tiago Meneses

20/11/2020

Ziltoid the Omniscient é certamente mais um dos grandes feitos musicais de Devin Townsend, oferecendo um nível de musicalidade que eu poderia classificar entre os mais altos que já pude ouvir entre a fusão de progressivo e metal. Quando o ouvi pela primeira vez, fiquei muito impressionado – embora não muito surpreso, já que conhecia o potencial de Devin de outros “carnavais” - em como que o músico conseguia organizar todas essas faixas incríveis sozinho além de tocar todos os instrumentos, incluindo a bateria que ele programou todos os riffs usando o software Drumkit from Hell. Uma dedicação e tanto para atingir um resultado tão impressionante sem nenhum tipo de ajuda. 

Apesar de não apresentar exatamente a mesma qualidade na produção e não trazer a mesma grande sensação atmosférica de outros dos seus álbuns, a qualidade sonora não deixa de ser excelente também. Descrevendo de uma forma resumida os estilos musicais encontrados nesse álbum, ele é centrado principalmente em riffs de guitarra do tipo que parece que só Devin é capaz de produzir, ótimos arranjos vocais, além de batidas pesadas muito bem produzidas pelo já mencionado software, Drumkit from Hell. Entre os vocais, também há palavras faladas de vários personagens apresentados no álbum, como Ziltoid the Oniscient, Captain Spectacular, The Planet Smasher entre outros, incluindo lacaios de Ziltoid e o Criador Omnidimensional. As palavras faladas sincronizam perfeitamente com os arranjos. Todos os personagens foram dublados por Devin e eu acho que ele fez um trabalho muito bom como dublador.

Como eu citei personagens mais acima, ficou claro de que Ziltoid the Omniscient é um disco conceitual, mas que eu particularmente o considero um tanto quanto bobo. É sobre um alienígena quadridimensional que trava guerra contra os humanos porque eles não lhe deram uma boa xícara de café. Então há algumas viagens espaciais e destruição de planetas e eu sinceramente me perco no enredo. Mas então vamos ao que mais importa, ou seja, as suas músicas – independente de letras. 

O disco começa através de “ZTO” e os seus pouco mais de um minuto. Pode servir como a música tema do álbum. Apesar de muito pouca duração, uma maneira brilhante de abrir essa montanha russa de loucura sonora. "By Your Command" mostra muito bem tudo – ou quase tudo - aquilo que o álbum está reservando para o ouvinte. Os vocais de Devin são diversificados – como tem que ser quando apenas uma pessoa canta em um disco conceitual. O peso que está faixa atinge em alguns momentos é sensacional e os seus riffs são do tipo que derreter o cérebro. 

“Ziltoidia Attaxx!” eu a coloco como a escolha perfeita caso Devin na época quisesse ter escolhido uma faixa single, principalmente pelo seu toque e a sua natureza descolada. A bateria programada para essa música é insana e em alguns pontos eu acho difícil achar baterista que a consiga reproduzi-la com precisão. Novamente o trabalho de guitarra é fantástico. “Solar Winds”, apesar de ser a faixa mais longa, é basicamente a balada do álbum, pois comparada com o que encontramos nas demais faixas, é muito mais suave. Possui alguns momentos muito bonitos, com Devin sendo certamente um dos destaques, entregando uma performance vocal muito honesta e tranquila em grande parte dela. 

“Hyperdrive” é uma faixa muito melódica e que apresenta um ritmo intermediário e de atmosfera bastante pacífica, mas que mesmo assim, não faz com que está seja vista como uma faixa fora do lugar. A bateria fica em segundo plano e pouco se destaca – o que não quer dizer que não esteja encaixada perfeitamente. Enquanto isso, a guitarra coloca um conjunto simples de acordes durante os versos e o refrão é muito bom. “N9” seria aquela música que eu escolheria como menos favorita – mesmo ainda gostando muito. A guitarra voltou a estar mais pesada como nas três primeiras faixas e a bateria soa às vezes parecida com “Ziltoidia Attaxx!”, algo que não chega a ser ruim, já que os vocais de Devin combinam bastante com esse tipo de batida. 

“Planet Smasher”, em contrapartida certamente que um a das minhas músicas favoritas do disco é esta. Começa com uma pequena seção de guitarra de volume lentamente ascendente enquanto que Devin dar voz a uns dos personagens que parece estar dando algum tipo de instrução, porém, sua voz vai se transformando em um rosnado de death metal.  O riff fica progressivamente mais robusto e melhor à medida que sobe para a seção principal. No geral é uma faixa extremamente brutal. “Omnidimensional Creator” trata-se apenas de palavras faladas, consistindo na narração de um diálogo entre Ziltoid e o Criador Omnisdimensional. 

“Color Your World” começa com uma bateria veloz que leva o ouvinte diretamente para uma parte pesada. Devin alterna muito bem entre seus vocais ásperos e melódicos. O destaque realmente fica por conta da seção intermediaria da música que certamente é uma das melhores criações de toda a carreira de Devin. “The Greys” apresenta Devin com alguns vocais bastante calmos enquanto que um excelente riff de guitarra toma a dianteira. Existem alguns pontos da música em que parece que ela vai atingir uma espécie de clímax. Uma música de estrutura simples, mas que funciona maravilhosamente bem. Outro destaque fica por conta dos refrãos que soam agradáveis e cativantes. “Tall Latté” é o momento final do álbum e que vale a pena entender do que se trata a conversa – já que não há música. Dois funcionários de uma cafeteria conversam, sendo que um deles está acordando o outro e dizendo para ele fazer café. É então que é revelado ao ouvinte que toda a história do disco era na verdade o sonho do funcionário que dormia. 

Por mais que eu ache a história boba – como inclusive disse lá no começo -, devo admitir que é ao menos engraçado a temática café/aliens (oi?). Um disco de atmosfera maravilhosa e que compensa a falta – para os padrões Devin – de complexidade em alguns momentos.  Este não é um álbum de audição casual, acho que ele é melhor aproveitado quando apreciado em uma sessão completa, mas isso não quer dizer que suas músicas não se sustentem muito bem sozinhas.

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