Para os que respiram música assim como nós


Resenha: The Devin Townsend Band: Synchestra (2006)

Álbum de Devin Townsend

Acessos: 47


Um disco brilhante de insanidade, progressividade, além do bom e velho metal

Por: Tiago Meneses

19/11/2020

Synchestra é mais um daqueles discos em que Devin Townsend soa dentro do seu melhor – ou ao menos nota-se o seu esforço para que assim seja. A produção é simplesmente perfeita e existe um equilíbrio bastante justo entre a infantilidade – se podemos assim dizer- e a seriedade para fazer uma obra de arte que seja agradável e também divertida, mas ao mesmo tempo credível e inteligente. Como sempre, existem diversas camadas que tornam esta música progressiva algo único. Outro ponto que é sempre bom destacar é que embora Townsend seja um dos mais talentosos do cenário do metal progressivo atualmente, ele parece não gostar muito de ostentar os seus “poderes”. Em vez disso nota-se que muito do seu trabalho é muito mais descontraído em termos de tecnicidade, exceto para alguns solos ocasionais, claro, onde ele realmente extravasa toda a música que há dentro de si e faz uma declaração ao seu talento e virtuosismo como músico. 

“Let It Roll” é uma ótima maneira de começar um disco. A faixa possui alguns belos arranjos vocais que combinam muito bem com instrumentos acústicos. Quando se aproxima do final, algumas camadas de ruídos bem ambientados desaparecem, fazendo com que lembremos que estamos diante de um disco de Devin Townsend através de uma linha musical mais pesada e bem característica do músico. “Hypergeek” começa com um violão e o som de um sapo – minha fobia com esse animal me proíbe achar isso uma boa ideia. Alguns pássaros então se juntam a ele e os violões polifônicos e as melodias de piano se encaixam perfeitamente. No meio da faixa novamente é quando temos um som típico de Townsend, com uma explosão instrumental incrível. 

“Triumph” é mais uma música que carrega com louvor o selo típico da sonoridade Devin Townsend de qualidade, sendo executada na perfeição. Mas também contem um solo de Steve Vai – que por sinal combinou maravilhosamente bem. Depois de mais ou menos três minutos o clima da música sofre uma mudança, pois são adicionados banjos e pianos que a suavizam bastante o clima, mas não demora muito para que a estranheza tome conta, culminando com o lindo solo de Vai. Não é uma obra-prima ou algo fora de série, mas ainda assim, lindo. 

“The Baby Song” começa em um ritmo meio de valsa que chega a colocar até um sorriso no meu rosto. O ouvinte poderia até mesmo dançar com isso, claro, se ela não mudasse tanto de humor. Aqui Devin “enlouquece” em cima daquilo que ele sabe fazer melhor, nas criações de camadas, não sei exatamente quantas, mas não duvido que existam cerca de uma dúzia delas em instrumentos independentes colaborando com a faixa. Perto do final, a valsa é reforçada com algumas batidas explosivas e graves, seguida por uma parte em que o vocal é o instrumento dominante e desempenhado de forma louca. Faixa estranha? Talvez, mas dentro da genialidade de Devin. 

“Vampolka” como o seu nome já sugere é de fato uma polca – no contexto do álbum. É bem estranha na verdade, mas ainda assim funciona bem, pois é curta e serve como uma boa transição. “Vampira” em termos de Devin se trata de uma faixa até bem normal. Um metal com alguns vocais guturais que se encaixam muito bem no clima da música. Ao longo da música há um órgão em formato de hammond reforçando a mixagem, além de alguns vocais ao fundo que conseguem criar uma espécie de clima transilvânio, digamos assim. 

“Mental Tan” é mais uma faixa que funciona apenas mesmo como uma transição. Possui uma sonoridade muito legal e bastante suave. “Gaia” sem a menor dúvida é um dos destaques do álbum, mesmo de certa forma sendo o “single pop” do disco. Todos os bons aspectos encontrados em outros discos de Devin se encontram na mesma música. Tem um refrão maravilhoso e uma vibração rock and roll incrível. Do começo ao fim tudo é sólido e agradável. 

“Pixillate” é a minha música preferida do álbum. Abre com um riff bruto de baixo e Devin gemendo em uma tonalidade meio do Oriente Médio, a música lentamente vai se desenvolvendo e se transformando em algo exótico e único dentro do catálogo de Townsend. Apesar de gostar de todo o álbum, somente esta faixa consegue de fato me tirar alguns arrepios. Não existe uma seleção das melhores faixas de Devin Townsend sem “Pixillate”. 

“Judgment” traz algumas performances vocais bem fortes e a intensidade típica do músico. Admito que não é uma faixa muito memorável, mas também não precisamos tratar isso como um problema real, o que eu quero dizer é apenas que ao ouvi-la, parece que já ouvimos ela algumas – muitas – vezes. 

“A Simple Lullaby” a princípio me faz lembrar um pouco de Terria – com isso acabo sentindo um começo meio derivado. Apesar de possuir algumas ótimas peças de composição – como paradas dramáticas – é inegável que a maioria da faixa acaba soando um pouco mais do mesmo, sendo que pra uma música de pouco mais de sete minutos, isso não é nada bom. Eu já disse muitas vezes que detesto usar o termo Filler, mas aqui é inevitável. 

“Sunset” é mais uma peça instrumental, mas muito mais curta. Começa como um rock normal sem nada demais, mas cresce em algo mais bem elaborado, com belos arpejos de piano e melodias vocais que são unidos por instrumentos. Um belíssimo esboço musical. “Notes from Africa” tem na sua introdução o riff do álbum que mais me agrada, acompanhado de um baixo ágil e pulsante. Traz com ela um pequeno salto melódico e um riff vocal de fundo que faz com que a faixa seja distinguida de todas as outras. 

O sentimento geral que tenho ao terminar de ouvir Synchestra é que seu único defeito é ter sido maior do que deveria, tanto que ao termina-lo, queria que a minha reação fosse a de salivar por mais, porém, apesar de amar o disco, fico um pouco exausto. De qualquer forma, trata-se de um dos mais significativos álbuns de Devin.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.