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Resenha: Terria (2001)

Álbum de Devin Townsend

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Terria é a mais sólida das paredes sonoras de Devin Townsend

Por: Tiago Meneses

19/11/2020

Antes de qualquer coisa, é bom deixar claro que este não é daqueles álbuns que pegam o ouvinte logo na primeira audição – ainda que isso não seja impossível de acontecer. Na verdade, estou falando apenas a minha experiência e como foi o processo para que ele me atingisse de maneira mais plena. Foi depois de ouvi-lo algumas muitas vezes que eu senti que estava enfim o entendendo. Deixando claro que eu não estava necessariamente me forçando a gostar, até mesmo porque eu já havia gostado, porém, eu achava que também precisava entendê-lo, e foi pra isso que muitas outras escutas foram necessárias. Hoje o vejo sem a menor dúvida como um dos discos de metal mais poderoso que já ouvi na vida. 

“Olives” é a faixa de abertura. Bastante estranha inicialmente, sendo uma espécie de amostra de um homem falando em voz baixa, assim como uma canção vanguardista com partes diferentes e estranhas, além de serem até mesmo um pouco assustadoras. Mais perto do final, a música simplesmente explode em um riff de guitarra que apesar de simples é muito pesado, seguindo assim até cerca de dez segundos para o fim da música, quando Devin suaviza as coisas e cria uma ponte para a faixa seguinte através de uma guitarra mais leve. “Mountain” é facilmente uma das melhores músicas do disco. Misteriosa, épica, com vocais assombrosos de Devin que soam ora fortes e ora delicados. Possui algumas mudanças de tempo simplesmente brilhantes. Uma verdadeira canção progressiva com o selo Devin Townsend de qualidade. 

“Earth Day” é uma faixa muito mais longa do que as duas anteriores com os seus pouco mais de nove minutos e meio. Mais um verdadeiro petardo. Possui uma atmosfera assustadora, mudanças de andamentos, temas e riffs maravilhosos, um refrão muito bom, assim como os versos, além de carregar uma experimentação muito bem feita. Em resumo, uma faixa simplesmente incrível. “Deep Peace” é uma música muito diferente, como o próprio título já indica o clima aqui é muito mais calmo e agradável, sendo isso graças às atmosferas serena e as notas de guitarra – depois de um violão inicial – simples e muito relaxante. Ela vai ficando cada vez mais pesada conforme vai se desenvolvendo, mas nunca chega a atingir de fato o peso encontrado em outros momentos do álbum. A experimentação aqui é sublime. 

“Canada” tem uma melodia excelente, ótimas passagens e momentos. Devin está muito em forma em relação a sua performance vocal nesta música, soando brilhantemente bem. Novamente uma música que não é tão pesada assim, porém, carrega uma aura mais onírica, relaxante e alegre do que qualquer outra. Mais uma faixa cinco estrelas. “Down and Under” é a faixa mais curta do disco e certamente um ótimo interlúdio, de certa forma uma ponte que conecta – muito bem – a primeira e a segunda parte do álbum. Mesmo que o riff seja algo perpétuo, ele é ótimo e não enjoa, além de dá um clímax incrível. 

“The Fluke” é uma faixa muito cativante e que eu coloco facilmente como uma das minhas preferidas entre todas do catálogo musical de Devin. Os vocais são maravilhosos, só lamento que apesar de possuir versos muito bons, os refrãos não soam com a mesma qualidade – mas também não chegam a comprometer. Muito rápida, coloca o álbum novamente em batimentos mais elevados. Mas ainda assim, tem os seus vocais delicados - nos versos. Adoro essa música. “Nobody's Here” é mais uma grande música experimental e de algumas paisagens sonoras desertas. A melodia é muito linda e enquanto os versos ficam entre um progressivo e psicodélico, os refrãos soam muito mais animados e pomposos. Lembro que inicialmente não gostei muito desta, hoje eu simplesmente adoro. 

“Tiny Tears” também ultrapassando os nove minutos é a segunda faixa mais longa do disco. Começa com uma melodia interessante, ficando mais nítida depois, quando aparece a guitarra elétrica e o restante da banda em uma cadencia lenta dita o ritmo principal da faixa. De um modo geral o que vemos aqui é mais um momento bastante onírico e espacial do álbum. Um bom exemplo do que falei lá no começo da resenha, uma faixa que eu gostei, porém, demorei um pouco mais para entendê-la. “Stagnant” é á última faixa do álbum e apresenta um som muito mais simples. Possui uma melodia ótima, além de ser bastante alegre e otimista – de certa forma, um tipo de faixa que Townsend sempre gosta de usar para terminar um álbum. Mais uma faixa que a princípio não gostei muito, mas hoje eu adoro. Cativante e memorável é uma maneira muito boa de terminar o álbum. 

Terria é um disco simplesmente brilhante e que deveria estar na coleção de qualquer amante de progressivo e de metal. Não é um disco que merece o aval depois de apenas uma escuta, pois ele possui infinitos ouros ocultos que vão aparecendo conforme mais familiarizado o ouvinte vai ficando dele – além de que ouvir um disco deste várias vezes não é nada trabalhoso. Incrível.

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