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Resenha: Technical Ecstasy (1976)

Álbum de Black Sabbath

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Black Sabbath sofrendo pelas pressões da época

Por: José Esteves

19/11/2020

Com toda a litigação por trás, a banda dá uma respirada e decide gravar o próximo álbum em Miami, além de contratar o tecladista Gerald Woodroffe oficialmente para a banda, após algumas pontas no “Sabotage”. Com uma tentativa de um som diferente, o álbum é produzido sozinho pelo Tony Iommi (que sentiu um peso enorme dessa decisão) e lançado para críticas mornas, sem muita melhora com o tempo.

Uma das grandes dificuldades de resenhar um álbum de quase cinquenta anos é entender o cenário da época e as decisões tomadas por quatro pessoas que estavam pensando de uma forma bem específica. Fato é que a banda estava perdendo lugar musical, sendo uma das únicas bandas com um som mais tenebroso (metal só viria a ser um gênero tão prolifico quanto temos hoje em dia na década de 80), então a guinada para um som bem mais leve é entendível. Infelizmente, o álbum não tem nada de Black Sabbath, apresentando músicas leves, muito sintetizador e poucos exemplos do material gótico e catastrófico que eles apresentaram no início da década de 70. Isso é um problema especialmente para o Ozzy, que tem um vocal muito bom e específico para o metal que o Black Sabbath apresentava antes, mas é ótimo para o Tony Iommi, que tem uma chance de fazer solos de guitarra mais hard rock do que heavy metal, e os solos dele quase todos funcionam.

Apesar de não ter uma faixa instrumental (padrão desde o Paranoid), temos “You Won’t Change Me”, um Arena Rock com a única função de demonstrar a qualidade dos solos de guitarra do Iommi. A quantidade de faixas que parecem ser do Queen nesse álbum assusta um pouco também: além do arena rock citado acima (que, inclusive, tem um pouco de “While my Guitar Gently Weeps” dos Beatles), “It’s Alright” parece uma faixa do Brian May e “Gypsy” é Queen puro. Se tivesse uma faixa mais metal para compensar nesse álbum, algo puro heavy metal, seria uma olhada no caminho certo: do jeito que tá, a mais gótica é “She’s Gone”, que apresenta uma letra reminiscente de poesia gótica do Edgar Allan Poe, mas só cordas por baixo, tirando bastante da ideia de metal do conceito.

A melhor faixa do álbum é a última, “Dirty Woman”, mas mesmo ela não é nada de muito interessante. O que tem de interessante é a guitarra do Iommi, que faz solos por cima de solos, fazendo a música ter uma qualidade única dentro do álbum, mas realmente, o Black Sabbath perdeu completamente o som deles e se encontrava sem rumo, tentando qualquer coisa que estava fazendo sucesso na época. Uma pena, porque se tivessem seguido o caminho de “Sabbath Bloody Sabbath”, provavelmente não teriam demitido o Ozzy e continuariam a fazer o som que eles queriam fazer.

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