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Resenha: Silver Screen (2019)

Álbum de Silent Horror

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Uma surpresa positiva!

Por: Tarcisio Lucas

19/11/2020

A banda Silent Horror é detentora de uma discografia pequena, e uma história um tanto quanto tumultuada. 
Tendo lançado alguns EPs a partir de 2008, que tiveram uma boa recepção dentro do cenário do horror punk, em 2014 o conjunto lançou um disco oficial fantástico, auto-intitulado, tendo Argyle Goolsby, conhecido por seu trabalho na banda Blitzkid, nos vocais e baixo. O disco impressionava pela ótima produção e pelas composições precisas, e o que tinha tudo para se tornar uma parceria de sucesso terminou em uma série de acusações publicas entre a banda e o vocalista.

Por cerca de 5 anos, a banda se manteve em silêncio (sem trocadilhos, eu juro), até que em novembro de 2019, sem qualquer alarde, surge “Silver Screen”,  apresentando 18 minutos do mais puro horror punk.

Muitos diziam que sem o talento e criatividade de Goolsby a banda não teria como continuar, e Silver Screen veio para mostrar que nada poderia ser mais equivocado que isso.
Na verdade, qualquer um que ouviu os lançamentos da banda anteriores a 2014 sabe que a mesma sempre primou pelas ótimas composições. Logicamente, a presença de Argyle Goolsby, famoso na cena, trouxe certo reconhecimento e brilho ao álbum, mas Silver Screen deixa claro que o talento da banda já estava presente antes, e continua depois.

Ao todo, o disco tem pouco mais que 18 minutos de duração, dividido em 8 composições. Ao contrário do que possa parecer, são 8 músicas extremamente melodiosas, cheias de passagens diferentes, riffs certeiros, e sim, os vocais são tão bons – senão melhores – que os do disco anterior.
“The Cabinet of Dr. Caligari” e “Creature from the Black Lagoon” são provavelmente os grandes destaques do disco, mas as outras não ficam muito atrás. Os backing vocals estão ainda mais presentes que nos lançamentos anteriores, e talvez – TALVEZ – esse seja o único ponto negativo do disco, por um motivo extremamente peculiar;

As harmonias vocais e backing vocals são tão, tão afinados, precisos e bem produzidos que em certos momentos perdem um pouco a essência do gênero a que se propõe. Não que isso seja ruim; é que realmente saem daquilo que identificamos como características do estilo. Não há nada de errado, ainda mais se a banda não quer se prender a formulas e rótulos. Mas, pessoalmente, acho essas passagens ...perfeitas demais, trabalhadas além do que o estilo pede. Ás vezes, menos é mais, e acredito que nesse quesito a banda tenha pecado pelo excesso.
Claro, nada que atrapalhe ou dificulte de fato a audição do disco. 

A julgar pelo histórico da banda, o próximo álbum será lançado apenas na próxima década, então, até lá “Silver Screen” será uma excelente companhia!

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