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Resenha: Go Go Ghouls (2006)

Álbum de Back To Zero

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Diversão e Horror!

Por: Tarcisio Lucas

18/11/2020

Correndo o risco de parecer presunçoso e/ou taxativo, afirmo e reafirmo que o gênero “horror punk” é o sub-gênero do rock que melhor representa aquele lado mais descompromissado, alegre e simples do estilo. Mesmo quando as letras estão falando sobre serial killers ou coisas que te matam durante a noite, a própria estética sonora (e quase sempre visual) do estilo transpira descontração e diversão. 

Ainda que o maior representante do estilo, o Misfits, seja conhecido pela grande maioria dos fãs da música pesada, verdade é que o gênero se mantém ativo e extremamente produtivo principalmente pela sua cena totalmente underground, obscura, mas com literalmente centenas de grupos cujos integrantes  variam desde excelentes instrumentistas à outros nem tão bem dotados assim, em uma cena surpreendentemente unida e fervilhante.

Os membros do Back to Zero, felizmente, se enquadram naquele grupo dos ótimos instrumentistas.
A banda possui apenas 2 discos oficiais, sendo o mais recente datado de 2009. Nas redes sociais, a banda ainda se considerava na ativa até o ano passado, quando subitamente deixaram de atualizar seus perfis, sendo impossível dizer se o conjunto continua na luta ou não.
Mistérios a parte, vamos falar desse álbum, o debut da banda.

Como disse antes, o grupo possui qualidades musicais inegáveis, especialmente nas guitarras, sempre precisas e tocadas com muita competência. Os vocais são bons, cometendo pouquíssimos deslizes (lembrem-se, afinação nunca foi uma exigência dentro do horror punk), tendo um timbre que casa absurdamente bem com o instrumental da banda e com o estilo em si!

Para os amantes do horror punk, o que temos aqui é uma coletânea de clássicos e composições precisas, coisa de quem sabe e domina muito bem aquilo à que se propõe. Os caras manjam MUITO de horror punk, verdade seja dita!

Músicas como “Haunted”, “Lycanthropy” (essa um absurdo de boa!), “Zombie Marathon”, “Youth of Gaitlin” (com uma pegada bem rock and roll) e “Devil’s Born” são verdadeiras aulas do estilo.
Ouvir “Go Go Ghouls” é fazer uma viagem no clima dos melhores filmes de terror B da década de 80. 

Acredito que o único deslize do álbum seja a música “Invasion”, que mesmo não sendo de todo ruim (ainda que os vocais realmente desafinem ao longo da canção), está muito aquém da qualidade de todo o restante do material apresentado.
Até mesmo a capa segue a “cartilha dos clássicos do horror punk”, onde coisas que certamente seriam consideradas toscas dentro de outros gêneros levam os fãs ao delírio (eu incluso; acho a capa maravilhosa).

Uma outra característica comum às bandas de horror punk é a dificuldade de se encontrar informações sobre o conjunto. É praticamente impossível descobrir a formação completa da banda (ainda que possamos aferir que o vocalista se chama Chris Z e o baterista Johnny Beats), e tudo que sabemos é que o conjunto é originário da cidade de Riverside, na Califórnia. Ou seja, a banda é em todos os aspectos, uma banda clássica!
Esse lado underground da cena é uma das coisas mais apreciadas por nós, fãs, e é muito bom encontrar bandas como o Back to Zero que levam a bandeira do gênero com competência e qualidade.

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