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Resenha: Sabotage (1975)

Álbum de Black Sabbath

Acessos: 71


Duas falhas gigantes, mas ainda assim bom resultado final

Por: José Esteves

18/11/2020

Com o Black Sabbath ficando cada vez mais famoso nos Estados Unidos, o grupo decide mudar de representação, demitindo seu agente Patrick Meehan, co-produtor (no papel apenas) do Vol. 4. Ao fazerem isso, são cobertos de processos, enquanto eles percebem que estavam em contratos ultrapassados e injustos, além do agente receber grande parte do dinheiro da banda. Nesse clima, eles gravam e lançam Sabotage mais como uma forma de extravasar o que estava na cabeça dos membros, que se encontrava ocupada com idas a consultórios de advogados e tribunais (o nome Sabotage foi escolhido por eles sentirem que estavam sendo sabotados pelo mundo exterior). O disco foi bem recebido pela crítica especializada da época, o que deu força o suficiente para o álbum conquistar certificação ouro e um lugar na lista da Rolling Stones de melhores álbuns de metal de todos os tempos.

As duas gigantescas falhas desse álbum são: pouca energia e a falta de um hit assassino. Quanto a pouca energia, tá na cara que a banda tá esgotada. A maior parte das músicas são boas, só falta um empurrãozinho a mais tanto na área da criatividade quanto na área da execução. Em certos momentos, o vocal do Ozzy quase encaixa. Em outros, o baixo do Butler até tenta fazer umas firulas, mas nada muito mágico. A bateria do Ward então, nem tem o que comunicar: ele até tem umas chances pra brilhar, mas no geral, beira ao mecânico. E a guitarra do Tony Iommi é legal, como sempre, mas ele brilha mais na instrumental de violão do que em qualquer outro momento, provando que ele era um ótimo violonista, mas no momento, ele não queria muita amizade com a guitarra.

Quanto a falta de um hit assassino, esse álbum não tem nenhuma música horrível (além de “Am I Going Insane (Radio)”, que tiveram a brilhante ideia de colocar um sintetizador no Sabbath), mas faltou aquele hit destruidor que viria a ser uma peça para carregar o álbum. Tem faixas que chegam muito perto de conseguir: a abertura “Holy in the Sky” tem um bom riff de guitarra, o vocal do Ozzy tá ficando bom, mas o Tony Iommi se perde na metade dele; em “Megalomania”, que seria o mais perto de um rock progressivo do Black Sabbath, falta um pouco do peso característico; e, é claro, “Don’t Start (Too Late)”, um instrumental de violão clássico fantástico, mas apesar de virar tradição da banda ter uma faixa instrumental, não é o que se pode chamar de um hit esperando para ser feito. Somado a isso, em alguns momentos a banda se perde completamente, tanto na “Am I Going Insane (Radio)” quando na baseada no som do Boston, “The Thrill of it All”, acabam criando um álbum sem muito poder de permanência, apesar de ter uma qualidade inegável.

A melhor faixa do álbum é a “Symptom of the Universe”, outra que quase chega a ser um hit explosivo, mas falta aqui e ali algumas coisas fundamentais para isso. No entanto, o Bill Ward na bateria mostra serviço nessa faixa, com um tema muito bem feito do Tony Iommi (que, de novo, lembrou como fazer músicas para o Ozzy cantar). No final, a música pega uma saída meio jazz lounge, e o vocal do Ozzy parece se encaixar melhor nesse clima (talvez por não ter tanto peso nos instrumentos de fundo), mas a música, em si, é um bom metal. Não é melhor do que todo o “Sabbath Bloody Sabbath” ou “Snowblind” do Vol. 4 mas ainda é uma boa música.

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