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Resenha: Sabbath Bloody Sabbath (1973)

Álbum de Black Sabbath

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Melhor álbum do Sabbath

Por: José Esteves

17/11/2020

O Black Sabbath estava esgotado depois do quarto álbum e das turnês que se seguiram, tanto como banda quanto na parte criativa. A fadiga e o uso constante de drogas estava começando a fazer a banda perder o foco, ainda mais com o abuso dos dois principais membros criativos, Tony Iommi, que criava os riffs, e Geezer Butler, que era a principal força por trás das letras, que se sentiam supercarregados enquanto o Ozzy e o Bill Ward curtiam as férias (e na parte do Ozzy, quase todo o reconhecimento dos fãs da banda). Mesmo com Ozzy reconhecendo esse álbum como “o início do fim da banda”, ele foi bem recebido na época, eventualmente conquistando certificação platina.

Perceber que a banda toca melhor e tem opções criativas mais interessantes quando acuados é um fenômeno ímpar: a maior parte das bandas cria seu pior projeto quando em bloqueios criativos (Creedence, Beatles, por exemplo). Black Sabbath criou o melhor disco na carreira até então quando cansados e sem energia, obtendo um produto final quase sem falhas. Provavelmente a banda lembrou como se compõe para o vocal do Ozzy, porque o vocal dele nunca está fora do lugar nesse disco. Além disso, tanto o Bill Ward na bateria quanto o Tony Iommi na guitarra estão improvisando muito bem: me parece que foi influência do Deep Purple, que estava em ascensão na época. Até a inclusão de Rick Wakeman, famoso por ser tecladista do Yes, funciona muito bem nesse álbum; e ele foi chamado para a banda provavelmente porque o Deep Purple tinha o Jon Lorde.

O álbum é consideravelmente mais hard rock do que metal, com faixas mais para solos de guitarra leves do que para aquele peso absurdo do sludge dos dois álbuns anteriores (“Killing Yourself to Live” sendo um excelente exemplo disso). Não que não tenha metais que lembram o início da carreira (o álbum começa com a faixa do mesmo nome do álbum e é uma música com a cara do Sabbath), mas ele brilha exatamente com as menos metal (o instrumental “Fluff” é um ótimo trabalho de violão acústico sobre cordas, e “Spiral Architect” é tão leve que nem parece Black Sabbath). Até as mais sujas e densas, como “A National Acrobat”, que se esperaria mais do mesmo apresenta overdub de guitarra em um terço acima e dois vocais do Ozzy fazendo harmonia um com o outro provando que ele está, pelo menos, aprendendo a cantar.

A melhor faixa do álbum é “Sabbra Cadabra”, um hard rock com todas as características do Deep Purple. A interação da guitarra fazendo um blues em dois compassos com o baixo que está tocando em quatro é interessantíssimo, o solo de teclado do Wakeman é ótimo, o piano do Tony Iommi por baixo é ótimo. O único defeito é que é o Ozzy cantando, e não o Ian Gillan, mas isso é uma característica mais do que um grande defeito, considerando que o Ozzy não canta mal nessa faixa.

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