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Resenha: Vol. 4 (1972)

Álbum de Black Sabbath

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Produção desigual e drogas criam álbum confuso

Por: José Esteves

16/11/2020

Após mais uma turnê para promover o Master of Reality, a banda decide dar uma pausa antes de começar o processo de gravação do próximo álbum. Pouco menos de um ano depois eles se reúnem para começar o processo criativo, mas nada funciona bem: a dependência de drogas faz com que a banda se torna apática, além de ser o primeiro álbum sem o produtor Rodger Bain, com o grupo contratando seu gerente Patrick Meehan para o papel (mesmo que, segundo os membros, isso foi mais por razões fiscais do que por qualquer trabalho que o gerente tenha feito). No final, a produção foi encabeçada pelo próprio Tony Iommi em nome da banda, e o resultado final não agradou muito os críticos da época, apesar de críticas modernas serem fortemente positivas, com muitos citando este como o melhor álbum da banda, além de figurar no 1001 álbuns para se ouvir antes de morrer.

Duas coisas são fortemente evidentes com esse álbum: o Black Sabbath estava produzindo o próprio álbum e eles estavam loucos de cocaína. Basicamente, faltou alguém para dizer não para as ideias da banda. Falta um pouco mais de tempo no forno para as músicas, além de ser repleto de escolhas ruins feitas provavelmente pelo uso de drogas, com o som ficando opulento e megalomaníaco. Um dos pontos mais fracos desse álbum é o vocal do Ozzy, não pela falta de qualidade do vocal (afinal, isso foi um problema para os dois álbuns anteriores e não foi exatamente um ponto fraco), e sim porque as composições não parecem ter sido feitas com o vocal do Ozzy em mente: não sei se esqueceram que o Ozzy era o vocalista em dado momento do processo. O Geezer Butler no baixo e o Bill Ward na bateria também cometem erros pelo exagero, mas no caso deles, isso pode ser perdoado, porém tem poucos riffs de qualidade do Tony Iommi nesse álbum.

A produção foi tão exagerada e o processo de composição foi tão desigual que parte das músicas simplesmente não parece Black Sabbath, o que é surreal: a balada “Changes”, com seu jeito mais romântico, se localiza mais perto de “Beth” do Kiss e “Love Hurts” do Nazareth do que de “Iron Man” e “Children of the Grave”. Como exemplo da falta de alguém pra dizer “não”, tem “FX”, uma instrumental horrorosa baseada em efeitos de gravação sem razão e sem motivação, e como exemplo da falta de produção dentro de uma música que poderia ser boa, tem “Tomorrow Dream”, com um solo de guitarra entrando por cima de um som tão sólido, que parece um soco auditivo. Se não fosse por três músicas, esse álbum seria claramente um álbum para se ignorar na discografia do Black Sabbath: o folk acústico “Laguna Sunrise”, o retorno as raízes “Under the Sun” e “Snowblind”.

A melhor faixa do álbum é “Snowblind”, uma faixa pé na porta com um metal de extrema qualidade para o álbum em que se apresenta. Aparentemente a música é sobre cocaína, evidentemente todos quiseram trabalhar bem na música sobre cocaína. O riff de guitarra é ótimo, o vocal do Ozzy se encaixa perfeitamente (no caso, é o Ozzy mais teatral do que melódico), a bateria e o baixo exageram de uma forma excelente. Existe um momento que o Tony Iommi faz um solo de guitarra por cima de cordas de orquestra, momento esse que não deveria funcionar de jeito nenhum para uma banda como Black Sabbath no momento em que viviam, mas que funciona perfeitamente bem. Essa faixa não só é a melhor faixa desse álbum, como deveria estar junto nos álbuns de melhores faixas da banda.

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