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Resenha: The Chemical Wedding (1998)

Álbum de Bruce Dickinson

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Bruce Dickinson no auge de sua carreira solo!

Por: Márcio Chagas

13/11/2020

Um dos vocalistas mais importantes da geração que se iniciou nos anos 80 com a New Wave of British Heavy Metal, Bruce Dickinson escreveu seu nome no livro dos grandes frontmans de todos os tempos, fazendo fama incontestável ao lado do Iron Maiden.

O vocalista iniciou sua carreira solo em 1990, insatisfeito com os rumos que sua banda principal estava tomando. Em pouco tempo Bruce deixou o grupo que se consagrou e passou a priorizar totalmente seus álbuns solo.

O vocalista renegou o estilo que o consagrou lançando o errático “Skunkworks”, mas logo voltou ao heavy metal, trazendo consigo o parceiro Adrian Smith, também dissidente do Maiden. Conseguiu a redenção com “Acident of Birth”, e após uma bem sucedida turnê, começaram a preparar o que seria o ápice de sua carreira.

Dickinson se inspirou nas obras do escritor Willian Blake, contando uma história filosófica, entrelaçada por sua literatura, fazendo com que as canções soassem interligadas como um trabalho – quase – conceitual.

Bruce repetiu a parceria com seu amigo Roy Z. que além de produzir o álbum, cuidou das guitarras e teclados, e também com Adrian Smith, que cuidou das guitarras e contribuiu com sons de teclados.

Ao lado do trio, estavam o baixista Eddie Casillas e o baterista David Ingrahan, responsáveis pelas bases das canções. O álbum tem uma sonoridade pesada e imponente, orientado por guitarras bem timbradas e pungentes. Roy e Adrian, de certo modo conseguem repetir em termos de sonoridade o que havia sido feito no Iron Maiden na década anterior, ou seja: dois guitarristas com estilos distintos que se completam, alternando peso e melodia.

O vocalista havia acabado de entrar na casa dos 40 e sua voz estava no auge, fato que o fez conseguir uma das melhores interpretações de sua carreira, com um timbre vocal irrepreensível.

Difícil apontar destaques em um álbum deste nível, é clássico atrás de clássico, deste a sua abertura com a veloz “King In Crimson”, onde Bruce canta de modo agressivo em meio as paredes de guitarras construídas, relembrando os bons tempos do Iron oitentista. Interessante destacar que os músicos chegaram a utilizar cordas de baixo para conseguir o peso desejado;

A faixa titulo tem ares cinematográficos e tanto seu  andamento como o estilo vocal lembram o Queensryche em seu inicio; “Killing Floor”, é uma parceria ente Dickinson e Smith. O vocalista canta em cima do riff principal. Os timbres utilizados nas bases lembram um pouco o metal industrial tão em evidência na época. A letra densa, fala sobre guerra e caos; 

“The Tower” tem um baixo galopante seguido por linhas de guitarra e refrão dobrado, com vocais de apoio feitos por Smith. Essa música poderia fazer parte de qualquer álbum do Maiden;

“Book of Theel” é um poema de Blake musicado e arranjado por Dickinson e Casilas; E a canção 
“Jerusalem” destoa do álbum. É uma belíssima e melódica balada acústica, onde Adrian aparece empunhando seu violão com influencias medievais para sustentar a voz de Bruce. O vocalista já havia admitido seu amor pelo rock progressivo em inúmeras entrevistas,  e aqui, ao cantar sobre a cidade de Jerusalém tomada pelas cruzadas pareceu o momento perfeito  para trazer a tona suas influências progressivas;

O álbum foi lançado em setembro de 1998 e pode ser considerado o ápice da carreira do vocalista. Sua turnê ainda registrou o Excelente ao vivo “Scream For Me Brasil”, gravado em nosso país. “Chemical Wedding” foi o ultimo disco solo de Bruce Dickinson antes de seu retorno ao Iron Maiden.  Um clássico absoluto do heavy metal tradicional.

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