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Resenha: Terrifying Tales (1999)

Álbum de Blitzkid

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Horror Punk da melhor qualidade!

Por: Tarcisio Lucas

13/11/2020

Uma das características mais interessantes do gênero Horror Punk e que parece ser menos comum em outros subgêneros é o fato de que tratasse de um gênero onde o quesito “originalidade” nunca parece ser uma preocupação real para os fãs do estilo, ou mesmo para as bandas: procura-se repetir as características clássicas da proposta, e ninguém parece ver problema algum se tal banda soa “parecida” ou “exatamente igual” aquela outra. E não falo isso de forma pejorativa, não! 
Sou um grande fã incondicional de Horror punk, e digo isso dentro do meu ponto de vista: se a banda soa como Misfits, tanto melhor!
Logicamente, não se descarta as características próprias de cada conjunto.

Digo isso pois esse primeiro disco da banda Blitzkid bebe diretamente na fonte de suas inspirações, sendo a maior delas, claro, o já citado Misfits. Futuramente, a banda incorporaria em seu som outras influências, como do pop punk mais tradicional, o que a meu ver descaracterizou um pouco as coisas que eu gostava na banda, e tornou o som do conjunto bem menos interessante e atrativo.

Mas fato é: aqui nesse lançamento, temos horror punk em sua mais pura essência! Na verdade, temos aqui um clássico absoluto do estilo, certamente OBRIGATÓRIO na lista de qualquer um que diga levar essa estética musical a sério!
A introdução “Invoke the Beast/Attack of the Ghoulies” parece ter saído diretamente de um “besto of” do Misfitis...que inicio de disco sensacional, e que já entrega tudo: guitarras nervosas tocando riffs simples e extremamente grudentos, vocais afinados e backing vocals com os famosos “ohohohohoh” tão queridos ao estilo, além da letra versando sobre monstros e ataque de mortos-vivos pela terra.

No quesito produção, a banda começou com o pé direito: uma excelente produção, ainda mais considerando que essa geralmente não é uma preocupação real da maioria dos grupos do gênero.
Além do horror punk, é forte a influência daquele rock and roll mais básico, e também elementos de rockabilly. Existem solos de guitarra decentes em uma música ou outra, como na canção “Evil Hand” (essa um Rock and roll “levanta-defunto” da melhor qualidade!).
Não há uma única música descartável aqui; todas são diretas, e mantém a energia e a pegada do começo ao fim, sem deixar de empolgar por um segundo sequer.
“The Creature walks among us”, por exemplo, tem apenas dois minutos e vinte e nove segundos de duração, mas é tão fechadinha em sua estrutura e composição que quando ela termina tem-se a certeza de que era tudo que a música precisava em cada mínimo detalhe. E podemos dizer o mesmo sobre cada uma das faixas.

Eu costumo dizer que toda a banda de horror punk tem que ter a sua “Saturday Night” (uma das músicas mais famosas do Misfits, com fortes influencias do rock dos anos 50), e aqui está: Teenage Necrophilian Love”. Muito mais “raivosa” e punk que o clássico da outra banda, mas a mesma energia e o mesmo clima estão aqui.
E assim segue o disco. Até gostaria de me estender um pouco mais, mas sinceramente me parece errado se alongar na resenha de um disco de punk rock, pela própria essência da proposta. Mesmo por que o disco tem pouco mais de 20 e poucos minutos.

Resumindo, se você é fã de horror punk e ainda não conhece esse disco, pare tudo que estiver fazendo e vá escutar agora. Se você já conhece, vá escutá-lo novamente. E se você não faz ideia do que seja “horror punk”, esse álbum é uma das melhores introduções ao gênero que se poderia achar.

Em resumo: Sensacional!

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