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Resenha: Power Up (2020)

Álbum de AC/DC

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Um álbum de hard rock cheio de energia, como sempre

Por: José Esteves

13/11/2020

Seis anos depois da última turnê da banda e três anos depois da morte de Malcolm Young, guitarrista base do Ac/Dc, co-fundador da banda e irmão do guitarrista solo Angus Young, a banda decide se reunir para lançar o décimo sétimo álbum de sua carreira. O grupo já havia decidido se aposentar, mas o Angus Young queria fazer desse álbum um tributo para o irmão, convidando membros que participaram da turnê em 2014: Brian Johnson no vocal, Cliff Williams no baixo e Phil Rudd na bateria. Substituindo o Malcolm entra o um sobrinho de Angus e Malcolm, Stevie Young Jr., filho do irmão mais velho dos Young, que tem uma história longa com a banda, tocando no álbum de 2014. O álbum foi bem recebido pela crítica especializada.

Esperar uma música muito variada a essa altura do campeonato é basicamente desilusão. A bateria e o baixo são os mesmos o álbum inteiro (exceto uma ou duas exceções), mas ninguém ouve Ac/Dc para ter um som inédito. As pessoas ouvem para ouvir um hard rock cheio de energia e isso é a definição do álbum. Além disso, o vocal do Brian Johnson, que faz essa voz desde 1980, teve que tomar alguns atalhos vocais aqui e ali e surpreendentemente funciona bem, com alguns versos tendo um clima completamente diferente por conta desses defeitos que tiveram que ser corrigidos, o que é uma boa coisa. Infelizmente, uma coisa que ficou faltando foi um solo de guitarra daqueles que o Angus mandava na década de 70 e 80, sendo mais delegado às chamadas e respostas clássicas do grupo.

Como sempre, as faixas são mais uma grande sopa de músicas do que várias faixas completamente diferentes, então é mais fácil citar um padrão do que qualquer outra coisa. Existem músicas inspiradas na banda da década de 70 (“No Man’s Land” é mais inspirada em alguns blues rocks), década de 80 (“Through the Mists of Time” parece o que o Van Halen estava fazendo pós-1984) e década de 90 (“Realize” é uma citação quase que direta à “Thunderstruck”) e para aí, o que é excelente, porque poderiam ter chegado até “Blow Up Your Video”. As únicas músicas ruins são mais ruins por tecnicalidade do que qualquer outra coisa: “Kick You When You’re Down” começa mal e tem umas modulações esquisitas no meio, apesar de ter um bom solo de guitarra; e “Witch’s Spell” tem uma harmonia de verso que o vocal não consegue manter, dando uma impressão de falta de inércia.

A melhor faixa do álbum é “Demon Fire”, um rock padrão do Ac/Dc com algumas coisas mais interessantes da década de 70 do que das outras épocas. A bateria e a guitarra estão bem diferentes do padrão estabelecido, especialmente a bateria que está mais frenética do que o normal, enquanto a guitarra faz escalas descendentes de blues no meio da música. Sendo um clássico “chamado e resposta”, o solo de guitarra brilha bastante (ainda mais considerando que o álbum não é muito cheio deles).

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