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Resenha: Overground Music (1990)

Álbum de After Crying

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Um disco de progressivo bastante intenso com componentes de música clássica

Por: Tiago Meneses

12/11/2020

Apesar de fazer um som que é considerado progressivo sinfônico pela maioria das pessoas, acho que a banda húngara After Crying apresenta em seu som elementos a mais e que podem fazer com que ela seja vista como algo mais eclético e até mesmo vanguardista. Overground Music é o álbum de estreia do grupo e que foi lançado em 1990, onde logo de cara eles conseguiram impressionar através de ótimas composições musicais e produção sonora. Mas falando em composição, apesar de excelentes, aqui as coisas quase sempre não acontecem através do que podemos chamar de melodias “cativantes” – apesar de ser ou não cativante muitas vezes ser algo subjetivo. Algo que eu acho muito elogiável em Overground Music é a dinâmica de cada música em termos de tempo, bem como suas mudanças de estilos. Até em segmentos mais curtos é possível notar diferentes compassos. 

“European Things (Hommage À Frank Zappa)” é a faixa de abertura e já demonstra muito bem o que eu quis dizer mais acima. Não precisa nem observar com muita atenção para perceber que os compassos mudam com grande frequência ao longo da música enquanto que a melodia é sacrificada. Porém, devido a essa falta de melodia, o ouvinte pode apreciar a música com as harmonias entre os instrumentos e os vocais da faixa. Definitivamente, como o nome sugere, é como se fosse uma música de Frank Zappa interpretada pela banda. Destaque também para o uso de cordas em combinação com um canto enérgico que soa maravilhoso. 

“Don't Betray Me” é uma faixa bastante suave com um vocal ótimo e que tem como parte rítmica principal um belo piano, enquanto que a música é acentuada por trompetes ao fundo. Na parte final também é acrescido violoncelo / violino que combinam bastante com os trompetes. “Confess Your Beauty” é uma faixa que talvez tenha o clima cativante que eu disse mais acima não ter muito no álbum. O trabalho de piano logo na introdução é muito belo, sendo logo seguido por um canto energético. Novamente a banda mostra ainda que seja em um álbum de estreia, grande maturidade em sua composição. A combinação de piano e seção de cordas – que inclui solo de ambos – é maravilhosa. 

“Madrigal Love Part One” contém uma veia que faz com que o ouvinte sinta certa semelhança com “Don’t Betray Me”, usando também o piano e vocal como componente principal. “...To Black...” pode ser considerado mais um dos lapsos cativantes do álbum, sendo cantada lindamente sobre mais um exímio trabalho de piano, com incursões de trompete e cordas, além de um oboé bem direcionado. 

“Madrigal Love Part Two (Over Every Sea)” traz o disco para um ritmo mais rápido do que estava nas últimas faixas. Começa com um vocal que me lembra aos feitos – muito bem –pelo Gentle Giant. Novamente o piano é a cama principal para que os vocais deitem, mas trompete e fagote, por exemplo, também fazem parte da festa. “Madigral Love Part Free”, com menos de um minuto conclui a faixa. Ótimo piano até que a banda apresenta novamente uns vocais influenciados por Gentle Giant seguido de um trabalho instrumental que flui muito bem para a faixa que encerra o disco. 

“Shining (...To The Powers Of Fairyland)” é a última e também mais longa faixa do disco. O vocal feminino é maravilhoso e o trabalho de flauta é soberbo. Novamente vou ter que dar meu braço a torcer depois de falar sobre não ter música cativante no disco – mas ainda assim são poucos os momentos. A linha melódica é simplesmente hipnotizante e cativante, assim como sua seção rítmica de piano e também em suas seções de cordas. No meio da faixa há uma seção solo usando instrumentos de sopro que é soberba. Uma verdadeira obra-prima, muito acima das demais faixas – que não deixam de ser ótimas. 

Bom, no geral este disco é um trabalho muito mais vanguardista do que sinfônico, por mais que ele use bastantes instrumentos sinfônicos como seção de cordas e piano, mas só isso não basta e a forma que a música flui soa como algo mais eclético. Mas independente destes rótulos, uma coisa é certa, se trata de um disco de progressivo bastante intenso com componentes de música clássica. Então, se você é uma pessoa que gosta de música clássica, mas a prefere ouvir em outros contextos, digamos assim, que de forma pura, este disco é pra você.

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