Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Arcturian (2015)

Álbum de Arcturus

Acessos: 124


Uma musicalidade sombria e ao mesmo tempo viajante

Por: Vitor Sobreira

12/11/2020

Mais do que uma banda que some e aparece, o Arcturus pode ser considerado como uma entidade do Heavy Metal norueguês. Sua história remonta ao início dos anos 90, dando vida a um Atmospheric Black Metal cheio de ideias, que seriam cada vez mais lapidadas com o passar dos anos. Em três décadas de música, os lançamentos foram poucos – apenas cinco álbuns oficiais -, mas é fato que a qualidade não pode ser medida pela quantidade. Nas linhas de hoje, uma pequena (e relativamente tardia) lembrança aos cinco anos de ‘Arcturian’, o seu quinto e mais recente trabalho.

Longos dez anos se escorreriam na ampulheta do tempo até que ‘Arcturian’ fosse lançado ao caos do mundo, já que o último disco de estúdio havia sido o marcante ‘Sideshow Symphonies’, de 2005. Em parceria com a gravadora alemã Prophecy Productions, o álbum de dez composições saiu no dia 08 de maio de 2015, atingindo resultados positivos de crítica, além de ter mantido a mesma formação do trabalho anterior – que havia marcado a entrada de ICS Vortex (Borknagar, ex-Dimmu Borgir) nos vocais.

Extremamente trabalhada e diversificada, a sonoridade do Arcturus abraça momentos de pura viagem astral com os protocolos do Avantgard/Progressive Metal, do mesmo jeito que não deixou de lado o seu passado, inserindo aqui e ali levadas agressivas e sombrias do Black Metal. Claro, que quase tudo, para quem é estranho à banda, pode soar desordenado – e às vezes realmente o é – mas com um pouco de atenção, o ouvinte estará diante de uma pequena obra de arte, um deleite aos seus ouvidos!

Intencional ou não, a produção deixou a desejar em algumas partes, pois é preciso entender que existem várias coisas acontecendo ao mesmo tempo na música do Arcturus. Um blast-beat aqui, um arranjo sinfônico acolá, mudanças bruscas de tempo e por aí vai… Ou seja, por mais cuidado que se tenha em um estúdio de gravação, ainda é pouco.  Mas, obviamente, não atrapalha muito no resultado final  – no sentindo de se apreciar as faixas.

Com uma interessante arte de capa, desenvolvida por Costin Chioreanu (Arch Enemy, Green Carnation e muitas outras), somos convidados a introduzir nossos sentidos a partir de “The Arcturian Sign”, onde afirmo que logo na abertura o ouvinte perceberá tudo o que eu escrevi logo acima, sobre a complexidade musical que nos é oferecida. Também, logo de cara se percebe os dotes vocais de ICS Vortex, que o tornou uma peça importante por todas as bandas em que passou.

“Crashland” me remeteu ao Borknagar em alguns instantes, mas com os teclados assumindo um destaque orquestral épico, mas é claro, tudo com a cara do Arcturus. Em “Angst” somos transportados aos melhores momentos do Symphonic Metal, com direito até a insertes de uma agressividade lúgubre e velocidade acima da média (cortesia do requisitado Hellhammer).

Se “Crashland” pegou de surpresa quem curte Borknagar, tenho certeza de que os instantes iniciais de “Warp” fizeram (mais alguém além de mim) se lembrar brevemente do Ayreon, com aqueles sintetizadores quase espaciais. Não à toa, a faixa deixa a opulência de lado e se foca no Progressivo. O som de um antigo piano dá o pontapé em “Game Over”, ao mesmo tempo em que se equilibra com a volta das orquestrações e os efeitos de sintetizador mais atuais em uma envolvente ambientação rítmica já fora dos domínios do Prog. A interpretação dramática das linhas vocais limpo-agudas, novamente chama a atenção, não tem como negar só para não soar repetitivo.

A breve “Demon”, da mesma forma que “Warp”, deu uma segurada no lado esquizofrênico da coisa, optando por uma sonoridade mais “limpa”, porém, sem maiores destaques. E nesse jogo de leva-e-traz, “Pale” retorna novamente com as orquestrações, porém, sem tantas emboleiras.

Como eu disse, a produção realmente ficou devendo. Apesar disso, como a audição total não chega aos 50 minutos de duração e com um track list tão variado, a experiência não soa nada cansativa, pelo contrário, é sempre interessante. Prova disso são os arranjos de violão que se fazem presentes na viajante “The Journey”, que logo em seguida cedem espaço ao clima de terror gótico (daquele que apodrece as flores ao seu redor) em “Archer”. Ah, não posso esquecer da última composição, “Bane”, um aperitivo a mais para quem apreciou o lado sombrio e elegante do Arcturus.

Sem mais delongas, ouça com calma, mais de uma vez, para não deixar com que os inúmeros detalhes passem batidos. Enquanto isso, fico aqui na torcida por um novo trabalho da banda, o quanto antes!

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.