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Resenha: Black Sabbath (1970)

Álbum de Black Sabbath

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O início do metal mal produzido

Por: José Esteves

11/11/2020

Por ser o primeiro álbum da banda, dizer como estava o som do grupo se torna difícil. Fato é que duas bandas se juntaram, mudaram de nome algumas vezes (inclusive Earth, que Ozzy odiava) e no final, após um breve momento do guitarrista Tony Iommi no Jethro Tull, o Black Sabbath se forma, com Ozzy Osbourne no vocal, Geezer Butler no baixo e Bill Ward na bateria. O álbum foi mal recebido no lançamento, sendo mais elogiado anos após, como um dos primeiros álbuns do metal como o conhecemos, conquistando certificação platina.

Por ser um pioneiro tanto da banda quanto de um gênero, não é a toa que o álbum apresenta algumas armadilhas clássicas de uma banda ainda em sua fase amadora: a produção do álbum é bem fraca, provavelmente resultado de uma aproximação de “jogar todas as músicas que tocavam ao vivo no álbum” que acabou deixando o álbum pouco conciso e mal acabado; e a falta de qualidade de quase todos os membros faz com que o som da banda em si pareça bem rudimentar, com o Ozzy ou sendo teatral e fúnebre (que é o seu melhor na época, considerando que ele nunca foi um excelente vocalista) ou só cantando por cima dos excelentes riffs do Tony Iommi, que é claramente a estrela da banda. Somado a isso o fato de que o Geezer Butler tem poucos momentos em que mostra sua qualidade, se relegando apenas a acompanhar os solos de guitarra ou repeti-los enquanto o Iommi sola, e o Bill Ward não faz nada de excepcional na bateria, em alguns momentos até ficando bastante repetitivo.

Por ser um apanhado das músicas das apresentações ao vivo, o álbum tem momentos em que a ideia é ser gótico e bem filme de terror (“Black Sabbath” parece ter saído de um filme do Zé do Caixão) e momentos em que o blues rock reina e o clima do Black Sabbath não funciona tão bem (“Evil Woman” não teria espaço no álbum se tivesse mais material do primeiro tipo para preencher o disco). Aliado a isso, as composições em si não são nada excepcionais, com até os melhores momentos se repetindo (“NIB”, por melhor que seja, deveria ter três minutos, ao invés de se repetir integralmente e fazer uma de seis minutos) ou sem ter realmente uma direção muito concreta (a ideia de colocar uma gaita por cima da guitarra de “The Wizard” não foi boa, apenas mostra que a banda não tinha noção do que era na época).

A melhor faixa do álbum é a maior, “Warning”, que começa com o pior defeito de produção do álbum: era pra “Sleeping Village” passar incólume para a faixa seguinte, mas algo de errado aconteceu. Apesar desse erro amador gritante, fato é que a música tem pouco do Ozzy e muito do Iommi, que tem uma chance clara de brilhar como o mestre da guitarra que ele já era. Era tão óbvio o quão acima da banda o Tony era que tem um momento em que ele simplesmente sola em cima de silêncio, apenas para depois o resto da música voltar. A banda ainda estava em sua infância, e o guitarrista já tinha certa qualidade, então foi uma boa decisão.

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