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Resenha: Electric Forest (2012)

Álbum de Gekko Projekt

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Electric Forest é um álbum bastante forte e de um material sólido e versátil

Por: Tiago Meneses

10/11/2020

A princípio quando ouvi falar pela primeira vez na Gekko Projekt, logo eu disse que não conhecia absolutamente nada da banda, mas depois olhando o nome dos músicos envolvidos, me deparei com o do guitarrista Peter Matuchniak – que inclusive já fiz a resenha dos seus dois discos aqui no site – e de certa forma já pude traçar um panorama do que eu estava por vir, porém, o som da banda em nada lembra o feito na sua carreira solo, tudo é completamente diferente, com mais força e excelentes passagens de órgão – o tecladista Vance Gloster é quem assina a maioria das músicas -, combinando um progressivo melódico com outras faixas que são muito mais pomposas. 

“Particle Dance” é a faixa de abertura do disco. Traz uma excelente introdução de guitarra e conforme a música vai avançando o teclado é quem assume a liderança muitas vezes em uma exuberância que lembra um pouco o Clive Nolan, isso sempre apoiado por um ótimo trabalho de guitarra e seção rítmica. Uma faixa de abertura excelente que já mostra que o ouvinte pode esperar coisa boa no decorrer do disco. 

“Black Hole” é uma música com uma leve pegada blues rock e influenciada por Beatles, além de um pouco funk. Tudo é bastante agradável. A faixa também possui um órgão claramente orientado para a música psicodélica e uma guitarra por vezes pesada. Resumindo, é uma boa mudança em relação a uma abertura até mesmo pomposa. “Cognitive Dissonance” começa com um baixo bastante imponente que logo ganha companhia dos demais instrumentos – mas sem deixar de se manter em evidência. A música é uma espécie de fusion orientado para a música psicodélica. Mas o destaque maior mesmo aqui é o baixo de Rick Meadows. 

“London Vibe” é uma faixa onde a banda decide ir mais a fundo no território do fusion através de um trabalho de guitarra impressionante de Peter Matuchniak e uma ótima performance de bateria de Alan Smith. Algo que já ficou bem nítido e que pode ser um dos maiores trunfos para banda pode cativar o ouvinte, é a versatilidade e capacidade de fazer mudanças radicais de uma faixa para outra de uma maneira sempre bem trabalhada, com bom gosto e habilidade. 

“Avatar Jones” tem um começo bastante suave, mas pouco depois do primeiro minuto ela sofre uma mudança drástica a partir do momento em que os teclados assumem a liderança junto de alguns vocais bem agradáveis, baseado no que tudo que já foi feito no álbum até aqui, o ouvinte já pode esperar qualquer coisa, desde passagens influenciadas por Yes até alguns segmentos meio dramáticos e misteriosos. A música possui muitos órgãos psicodélicos e até mesmo alguns momentos reminiscentes em Asia. Resumindo, o tipo de música que um fã de progressivo  - como eu - gosta de ouvir. 

“Erdinger” é uma faixa instrumental bastante poderosa e dramática, onde a primeira lembrança que vem em mente é o Camel, mais precisamente em seu disco Moonmadness, mas acrescido com um toque de Pink Floyd. “Martian Sunrise” começa com um clima bastante espacial como quem já mostra que agora estaremos diante e uma faixa que é pura viagem. A guitarra de Peter aqui se mostra impregnada de sentimentos e algumas incursões de teclados são extremamente oníricas. Sem dúvida a música que marca o momento mais introspectivo do álbum. 

“State Of Siege” é mais uma faixa poderosa do disco, tendo como destaque principalmente a excelente interação de guitarra e teclas, algo mais voltado para um rock direto do que para uma linha progressiva. “October Skies” tem tudo o que eu posso esperar da banda a essa altura do campeonato. Originalidade e com destaque principalmente para as seções de baixo – como elas são brilhantes. “Particle Coda” fecha o disco com os seus pouco mais de um minuto, mas que soa muito interessante e serve como o apagar das luzes perfeito para Electric Forest. 

Electric Forest é um álbum bastante forte e de um material sólido e versátil. A forma que estes músicos encontraram para desenvolverem sua música aqui nos deixa com um gostinho de quero mais e pensando o quão sério eles pretendem levar esse projeto a frente, pois além deste, a banda só tem mais o disco chamado Reya of Titan. Que não parem por aí.

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