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Resenha: Jovem Guarda (1965)

Álbum de Roberto Carlos

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Nos tempos da “Jovem Guarda”

Por: Débora Arruda Jacó

08/11/2020

No tempo em que gravou esse Álbum, Roberto Carlos já era considerado unanimidade nacional. Também era o apresentador do programa Jovem Guarda na TV Record. O cantor contou com grandes instrumentistas para realizar o álbum Jovem Guarda: a banda The Youngsters e o tecladista Lafayette. Um trabalho importantíssimo do cantor, tanto que foi listado na revista Rolling Stone Brasil como o 85º melhor disco brasileiro de todos os tempos e também, figurou no ano de 2013 no Hall da Fama do Grammy Latino. Antes de dar prosseguimento, informo que nem todas as canções são de autoria de Roberto e Erasmo. Realizada a introdução, iniciarei a análise das faixas. 

O Álbum inicia com o rock iê-iê-iê “Quero que Vá Tudo Pro Inferno”, composição de Roberto e Erasmo Carlos e uma das canções mais populares da Jovem Guarda. A canção foi inspirada em uma namorada de Roberto que estudava inglês nos Estados Unidos: a letra falava da saudade que tinha da moça e ao mesmo tempo, um desabafo pela ausência. A segunda faixa é “Lobo Mau”, versão de “The Wanderer” (E. Maresca): confesso não ser muito fã de versões, mas nesse caso ficou muito legal. “Coimbra” é uma balada composta por Raul Ferrão e José Galhardo ao melhor estilo “Beatle”. A seguinte é uma composição de Helena dos Santos: “Sorrindo para Mim” que inicia com um belo solo de guitarra e também com destacado solo de órgão hammond, muito em voga naquele tempo. “O Feio” é uma canção bem humorada composta por Getúlio Cortês e Renato Barros. A sexta faixa é “O Velho Homem do Mar” uma das minhas canções favoritas: pode-se dizer que é uma história “cantada” – a música é composta por Roberto Rei (não é o “rei” Roberto). A sétima é a singela balada “Eu Te Adoro, Meu Amor”, de Rossini Pinto, um dos compositores mais populares da jovem guarda. Getúlio Cortês surge novamente com mais uma composição bem humorada e contagiante – “Pega Ladrão”, o relato de um homem que roubou “um coração” e a repetição do famoso Tchatchura entre um verso e outro, referenciando (ligeiramente) Beach Boys. 
A faixa nove é a meiga balada composta por Othon Russo e Niquinho: “Gosto do Jeitinho Dela”, lindamente interpretada por Roberto Carlos – uma das melhores do Álbum. A décima é também uma balada, muito bonita por sinal: “Escreva Uma Carta, Meu Amor”, composta por Pilombeta e Tito Silva. Coincidência ou não, apresenta uma sonoridade bem parecida com a canção anterior, mas tendo como diferencial uma quantidade maior de riffs de guitarra e o solo de saxofone. É uma bela música. 
A parceria Roberto e Erasmo retorna nas duas últimas faixas: “Não é Papo pra Mim”, o rock’n’roll contagiante no qual Roberto diz nos versos: “Falo até de futebol/Casamento enfim/Não é papo pra mim”. A décima segunda faixa é “Mexerico da Candinha”, resposta bem humorada de Roberto Carlos para uma colunista que vasculhava sua vida e o criticava. A sonoridade é à la Beach Boys – destacando o órgão de Lafayette que dá característica própria para a canção. 

Enfim, um excelente álbum que vale muito a pena conferir!

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