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Resenha: Roberto Carlos Em Ritmo De Aventura (1967)

Álbum de Roberto Carlos

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Impecável trilha sonora

Por: Débora Arruda Jacó

08/11/2020

Quando Roberto Carlos estrelou o filme “Em Ritmo de Aventura”, do diretor e roteirista Roberto Farias, RC já era considerado um dos grandes ídolos da Jovem Guarda. Seguindo os mesmos passos de ídolos internacionais (Beatles, Elvis Presley), o diretor dirigiu o filme tendo o “rei” como estrela principal. O filme pode não ser genial, mas consegue chamar a atenção do telespectador, apresentando um jovem RC e a trilha sonora não poderia ter sido entregue a outro cantor. A trilha sonora é considerada como um dos maiores clássicos do “rei” e da MPB consequentemente. Para a gravação, o cantor contou com a participação de nomes como Renato e Seus Blue Caps, RC – 5 e Lafayette. Os músicos incluíram vários tipos de instrumentos tais como: flauta, gaitas, quarteto de cordas e naipe de metais com muita competência. Ainda, foi eleito pela revista Rolling Stone como um dos melhores discos brasileiros de todos os tempos. Embora, a maioria das composições sejam atribuídas à dupla Roberto e Erasmo Carlos, estão presentes outros compositores como Rossini Pinto, Getúlio Côrtes e Renato Barros. Apresentada a parte técnica, iniciarei a análise faixa por faixa.

A primeira faixa é o acelerado rock “Eu Sou Terrível”, apresentando a letra “nervosa” e direta, composta por Roberto e Erasmo Carlos com o inconfundível solo de gaita que a torna memorável e clássica. Dispensa maiores comentários. A segunda é a balada romântica “Como É Grande O meu Amor Por Você”, com ótimo vocal, bem acompanhado pelos arranjos suaves, bem engendrados pelo órgão hammond e a flauta. A terceira é outra balada: “Por Isso Corro Demais”, com bela interpretação e ótimos arranjos. Clássica e primorosa.  A faixa quatro é a bonita composição de Edson Ribeiro: “Você Deixou Alguém A Esperar”, mais um grande momento. A quinta é a ótima balada “De Que Vale Tudo Isso” que apresenta a letra que lamenta a ausência de seu grande amor – a interpretação de RC é impecável tendo como fundo, os bonitos arranjos que apresentam belos toques de guitarra e o impecável solo de órgão do músico Lafayette. A sexta é “Folhas de Outono”, composição de Francisco Lara e Jovenil Santos: uma poesia cantada de maneira sublime pelo “rei”.
A sétima faixa é a maravilhosa “Quando”, mais um momento impecável: com sonoridade rock’n’roll, a letra é um lamento de amor que em nenhum momento soa “piegas”. A oitava é uma composição atribuída à Pedro Camargo: “É Tempo de Amar”, com mais outra ótima interpretação de RC, acompanhado por Renato e Seus Blue Caps além de Lafayette no órgão. A nona faixa é a “ríspida”, “Você Não Serve Pra Mim” composta por Renato Barros e também mais um momento feliz, no qual RC interpreta primorosamente a letra que expressa amargura e ao mesmo tempo, recomeço. A décima é composição de Roberto Carlos: “É Por Isso Que Estou Aqui”, com o inconfundível cravo tocado pelo grande Lafayette. Roberto compôs uma letra muito lírica, sendo considerada uma das melhores do Álbum.
“O Sósia” é o divertido rock composto por Getúlio Côrtes, com arranjos bem parecidos com as canções dos Beatles, “primeira fase”. É o que podemos considerar como representação do iê-iê-iê brasileiro. E encerrando o Álbum, temos a bonita canção “Só Vou Gostar de Quem Gosta de Mim”, composta pelo notório Rossini Pinto e trata-se de um dos melhores momentos do compositor e também de Roberto Carlos, que fez uma ótima interpretação – parece tanto com o modo de compor de RC que pode soar como composição do próprio. 

Enfim, um grande clássico da MPB e consequentemente, do Rock Nacional. Vale a pena conferir!

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