Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Renewal (1992)

Álbum de Kreator

Acessos: 162


Sem medo de mudar

Por: Marcel Z. Dio

06/11/2020

Segundo os fervorosos fãs do thrash metal, Renewal quebrou a sequência clássica do Kreator. Foi só mudar os rumos para que alguns desses guardiões com jaqueta de couro cheias de patches começassem a chorar as pitangas e reclamar pelos cantos, querendo um Pleasure to Kill ad aeternum.
É ótimo ver o Kreator não seguir a manada e evoluir a seu modo, só enriquece a discografia e demonstra que são aventureiros musicais como qualquer instrumentista que se preze.
A outra surpresa apareceu tempos depois com o surpreende Endorama (1999), mais um golpe nos conservadores de plantão. Dessa forma, faço dos citados, meus álbuns preferidos. Por ordem : Pleasure To Kill, Renewal e Endorama.
E a mudança foi tão forte que refletiu até na ilustração da capa, sem o mascote “Violent Mind”, tradição quebrada em Extreme Agression, por motivos estúpidos. Agora sim, feita de maneira proposital com um estranho louva-a-deus sugando a mente de um humano.

Ser esquisito e botar o fé no freio ante ao thrash tradicional, deixou Renewal estimulante. No pacote eram inclusos ruídos estranhos, metal industrial e até mesmo influencias do bom e underrated Prong, também do Sepultura em alguns riffs. Tanto é, que contou com a produção de Tom Morris, conhecido por já ter trabalhado com o Savatage, Morbid Angel e feito a mixagem do Beneath the Remains (89) do Sepultura. Suponhamos que Tom Morris tenha trazido na bagagem um par de ideias da banda brasileira.
A voz de Mille Petrozza impressiona pela imitação tímida de Tom Araya, não vejo como demérito, pelo contrário.

Se antigamente o som do Kreator explodia a todo momento, neste, encontramos mais pausas com chances para a bateria ser ouvida por um ângulo completamente diferente e prodigioso, existem vácuos que a deixam livres. Os solos também soam de forma não menos interessante.

Renewal fala pelo nome e o desvio de rota pode ter sido um tiro no pé, portanto, ao contrário do Metallica com Black Álbum, a jogada do Kreator foi puramente metamorfose de músico para músico e não truque marqueteiro para conquistar vendas. Isso é coragem real, embora digam que fizeram-no pelo mercado grunge ou alternativo (em plena ascensão). Sinto muito, não compactuo com tais visões.

Toda vez que ouço Reflection, Karmic Wheel ou Brainseed, tenho mais certeza que o Kreator acertou em cheio. Oportuno que divida o mar em duas partes de opiniões, bandas precisam disso. Controvérsias fazem o negócio ter graça. Imagine dessa forma porque grupos como o Rush são tão reverenciados, e ainda que façam parte de um circuito mais permissível a explorações, traziam novidades a todo momento e sem dar bola ao torcedor. Imaginem também o Kiss sem o enigmático e surpreendente Music from The Elder?.
É por ofícios experimentais que surgem discussões, alguns falham feio, outros encontram o caminho, Renewal encontrou o seu.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.