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Resenha: In Hoc Signo (2013)

Álbum de Ingranaggi Della Valle

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Perfeita engrenagem do prog italiano

Por: Roberto Rillo Bíscaro

05/11/2020

O Ingranaggi della Valle (IDV) foi fundado em Roma, no ano de 2010 e sua primeira formação contava com Igor Leone (vocais), Mattia Liberati (teclados), Flavio Gonnellini (guitarra e violão), Marco Gennarini (violino) e Shanti Colucci (bateria).

Sua expertise chamou a atenção do selo Black Widow que os contratou e em 2013 saiu o conceitual In Hoc Signo (Por Este Sinal), em alusão ao lema supostamente adotado pelo imperador romano Constantino. As 11 faixas são tour de force que mescla espetacularmente prog sinfônico com jazz rock, algo como alguma obscura gema ítala da década de 70 tocando com Jean Luc Ponty, porque o violino de Gennarini faz misérias.

Os dramáticos vocais em italiano tematizam sobre a primeira Cruzada, em um banho de instrumentação variada, de primeira, onde todos os músicos têm oportunidade de brilhar em mais de um momento, com especial destaque para a criativa bateria de Shanti Colucci. In Hoc Signo está lotado de boas ideias, mudanças no andamento, descargas de teclados e guitarras, intercalação de momentos sinfônicos com jazz-rock e em várias passagens perfeita simbiose entre os 2 subgêneros. Esse é um daqueles álbuns para ouvir sempre e descobrir novidades, porque, sem exagero, nasceu clássico.

Por ser homogeneamente consistente e brilhante, não compensa destacar faixas, mas dá para dizer que o inteiro de In Hoc Signo está contido na Introduzione e na seguinte, Cavalcata: após brevíssima vinheta acústica, o IDV solta os cavalos na exuberante cavalgada, que, em menos de 6 minutos, vai de galope sinfônico a jazz rock, parando em pastoralidades medievais e com cada jovem músico tocando como se sua vida dependesse disso. E dependiam mesmo, porque fãs sérios do jazz-rock e prog sinfônico dificilmente conseguem resistir a essa isca e são obrigados a ouvir o material com atenção.

Como se não bastasse a qualidade das composições e execução, a produção é antípoda da assepsia de muito prog contemporâneo. Mesmo mantendo a alta qualidade possibilitada pela atual tecnologia, o som tem bordas e alguma “sujeira” setentista. Irretocável.

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