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Resenha: Queen (1973)

Álbum de Queen

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Um bom debut, mas sem direção, forma ou identidade

Por: José Esteves

04/11/2020

A banda começou como Smile, reunindo Brian May, Roger Taylor, Tim Stafell e Chris Smith ainda na faculdade, com Farokh Bulsara sendo um fã ávido da banda. Após um tempo, Farokh pede para ser o vocalista da banda, o que consegue após Tim Stafell se demitir por diferenças criativas, mudando o seu nome para Freddie Mercury. Após vários baixistas diferentes, John Deacon entra no grupo e o Queen se forma do jeito que ele ficou famoso. Após um contrato que permitia a banda gravar quando ninguém mais estivesse usando o estúdio desde que eles testassem o equipamento novo, a banda grava o primeiro álbum. O disco foi bem recebido, com muitas críticas positivas os comparando com Led Zeppelin, e sendo considerado um dos melhores álbuns de estreia de todos os tempos.

Não é que o álbum seja ruim: ele definitivamente não é, não tem nada beirando à mediocridade nele todo. O problema é que o Queen ainda não tinha alcançado a fórmula deles, então parece fortemente que eles ainda estavam atirando para todo o lado. O vocal do Freddie Mercury é excelente, mas ele se limita a imitar o vocalista prévio em algumas faixas. A bateria do Roger Taylor é ótima, mas não é tão ligada com o baixo e a guitarra como a banda se tornaria famosa por fazer. A guitarra do Brian May é ótima, mas tá faltando aquele timbre exato que o Queen tinha na guitarra que fazia os solos de guitarra brilharem de forma especial. E, além disso tudo, a parte da composição peca muito: está na cara que eles estavam pegando as influências deles, seja lá qual for, e fazendo as músicas baseadas nisso, tornando o álbum um pouco ultrapassado, em questão criativa.

O hit single do álbum, “Keep Yourself Alive” é fantástica e não perde um segundo de energia, mas fora ela, temos um pouco de tudo de forma que parece que Jimi Hendrix, Led Zeppelin e Black Sabbath estavam mandando no que o álbum ia ser: a faixa “Son and Daughter” poderia ter sido cantada pelo Ozzy de tão Sabbath que ela é, e “Great King Rat” é a imagem do Jimi Hendrix que o Freddie Mercury tinha na cabeça. Somado isso à músicas que são abaixo do padrão esperado (legal que deram espaço para o Roger Taylor em “Modern Times Rock ‘n Roll”, mas todos sabiam que essa música não era nada demais) e à músicas que simplesmente não se encaixam perfeitamente bem (“Jesus” é bom exatamente porque não encaixa bem com o conceito da banda, inclusive) e o resultado final é bom, mas desigual. Inclusive, o instrumental final “Seven Seas of Rhye”, que depois seria aperfeiçoada no álbum seguinte, funciona bem para fechar o álbum, que não mostrou uma qualidade unânime durante ele todo.

A melhor faixa do álbum é “My Fairy Queen”, basicamente porque mostra claramente a direção do Queen. Existe a guitarra do Brian May, existe o piano majestoso e pretencioso do Freddie Mercury, com temperos de rock progressivo por ela toda. Se existisse um termo como “pop progressivo” que já não tivesse sido cooptado por bandas como Yes no início, esse álbum seria um exemplo claro do que seria um pop progressivo misturado com metal, com essa música sendo um exemplo mais progressivo disso.

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