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Resenha: Red (1974)

Álbum de King Crimson

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Rock progressivo feito errado

Por: José Esteves

03/11/2020

Após uma turnê pela América do Norte, eles decidem demitir David Cross e recontratar alguns membros já utilizados pela banda em outros álbuns. Tentando trilhar um caminho mais rock progressivo e menos jazz que se encontrava em algumas tentativas anteriores, eles decidem fazer um projeto baseado em improvisações. Infelizmente, a banda se desfez uma semana antes do lançamento, que apesar de não ter sido bem recebido pela população, foi bem recebido pela crítica da época e muitos o consideram o melhor álbum de 1974.

Existem momentos em que rock progressivo dá errado, e esse é um deles. A tentativa de utilizar improvisações como base para músicas inteiras, apesar de interessante, simplesmente não funciona, ainda mais considerando que quase todas as músicas tem quatro partes que não se encaixam de jeito nenhum. Os únicos membros que se destacam são os saxofonistas, mas apenas em um momento bem específico da quinta faixa: de resto, os membros estão mais preocupados em criar boas bases e esquecem de colocar algo por cima dessas boas bases.

Isso quando eles criam boas bases: a quarta “música”, “Providence”, é uma improvisação que nunca vira música. Parecem oito membros de uma banda tocando cada um em uma cabine isolada de som tentando criar uma faixa, ficando num prelúdio meia boca durante oito minutos. Os momentos de qualidade são quando o vocal entra e a música pega um pouco de folk pop emprestado de outras bandas da época que fizeram melhor (“Fallen Angel”); mas no todo, são várias peças progressivas mal produzidas, mal criadas e mal executadas.

A melhor faixa da música é a última, “Starless”, mesmo com todas as tentativas de torna-la tão insuportável quanto o resto. É a única faixa que salva do álbum todo, com oito minutos de doze com qualidade. Ela começa bonita, como uma balada de bateria com um saxofone inteligente, e ela fecha com uma explosão linda do saxofone, que deveria ser elogiado mais vezes. Agora, os quatro minutos do meio são mais do experimentalismo chato sem lugar e sem fundamento. Se funcionasse como um degrau para o solo de saxofone, teria sido mais interessante: do jeito que é, é entediante e desnecessário.

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