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Resenha: Robert Plant e a Band of Joy: Live From the Artists Den (2012)

Álbum de Robert Plant

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Novos Caminhos longe do Led Zeppelin

Por: Márcio Chagas

01/11/2020

Saber envelhecer também é uma arte, e Plant, do auge dos seus 72 anos sabe fazer isso muito bem. A cabeleira loira continua lá, agora com vários fios brancos, mas a voz não é mais a mesma, e convenhamos, é difícil de exigir de Plant, todo aquele sex appeal que o vocalista possuia em sua juventude. 

Mas Robert é esperto e talentoso o suficiente  para reconhecer suas limitações e fazer delas uma aliada. Apesar de não possuir os agudos de antes, Plant trabalhou melhor seu lado intérprete, ganhando ares de um verdadeiro tenor. Seus gritos de outrora forma substituídos por uma postura mais centrada, e ao mesmo tempo mais relaxada, de quem só quer mesmo é se divertir e cantar. 

O cantor aguçou ainda mais sua sensibilidade, percebendo as nuances das músicas e trabalhando em cima delas! Isso fica explícito no seu ultimo DVD “Live From The Artist Den”, onde o vocalista interpreta suas grandes canções, incluindo aí os grandes clássicos do seu antigo grupo. 

Mas algo mudou completamente. Plant formou uma banda que prima pelo acústico, utilizando bandolins, violões,  dobros, e arranjos diferentes para os grandes clássicos do Zeppelin, misturado a novas músicas. Claro que a guitarra está lá, fazendo  contraponto com os novos instrumentos, mas ela não é mais a espinha dorsal das canções.

Na primeira canção apresentada, uma releitura de “Black Dog” um dos maiores Hits do grupo, 	esse conceito fica bem aparente. Mesmo para o fã mais ardoroso, fica difícil reconhecer a música até que Robert cante seu refrão. 

E até mesmo a orginalmente enérgica “Rock and Roll”, ganhou ares mais líricos e menos peso. “Tangerine” e “Gallows Pole” Clássicos folk do terceiro CD do Led, que já tinham um pé no acústico, ficaram ainda mais belas. Há também arranjos vocais em que participam todo o grupo, outra boa jogada para que a função de cantar não fique só nos ombros do vocalista.

O grupo que o acompanha merece muito desse mérito, pois adequaram as canções antigas ao novo Robert Plant.  Dentre os componentes, Darrel Scott merece destaque, pois abusa do seu Banjo, Pedal Steel e bandolim, dando um colorido todo especial as canções.  E que outro vocalista poderia ter em sua banda a maravilhosa Patty Griffin como seu vocal de apoio?

Plant poderia estar hoje a frente do Led Zeppelin ganhando muito dinheiro, mas optou por não viver impassível, encostado em suas próprias glórias como muitos músicos fazem. Ao vocalista, resta a satisfação de estar fazendo um trabalho digno, honesto, de qualidade, e, mesmo no fim de sua carreira, conseguir explorar novos horizontes musicais.

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